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Panorama

NOAA eleva para 95% chance de El Niño muito forte entre outubro e dezembro

Condições geradas por El Niño podem facilitar as queimadas e impactar produções agrícolas. — Foto: Michael Dantas/AFP via DW

A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aumentou para 95% a chance de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. A nova projeção foi divulgada nesta quinta-feira (13) e representa uma alta em relação ao boletim anterior, de julho, quando a agência estimava essa possibilidade em 81%.

Para o período entre novembro e janeiro, que inclui o fim da primavera e o início do verão no Hemisfério Sul, a NOAA calcula em 90% a probabilidade de o fenômeno permanecer em nível muito forte.

A agência também estima que há 69% de chance de o episódio ficar entre os maiores El Niños registrados desde 1950.

 Pacífico está aquecendo rapidamente

O alerta ocorre em meio ao rápido aumento da temperatura das águas do Pacífico Equatorial. Em julho, o índice da região Niño 3.4, uma das principais áreas utilizadas para acompanhar o fenômeno, estava em +1,2°C acima da média.

Na atualização das condições oceânicas divulgada em 10 de agosto, o valor chegou a +1,8°C. Ou seja, houve um aumento de 0,6°C na anomalia da temperatura em aproximadamente um mês.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. Esse aquecimento interfere na circulação da atmosfera e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

A intensidade do fenômeno, no entanto, não depende apenas da temperatura do oceano. É necessário que haja uma interação persistente entre o oceano e a atmosfera para que o El Niño se fortaleça.

Os efeitos do El Niño não são iguais em todo o território brasileiro e também podem variar de acordo com a época do ano. Historicamente, o fenômeno está associado a aumento das chuvas na Região Sul, o que pode elevar o risco de temporais, enchentes e outros eventos extremos.

No Norte e em parte do Nordeste, o padrão costuma ser oposto, com redução das precipitações e possibilidade de agravamento de períodos de seca.

Já no Sudeste e no Centro-Oeste, os impactos são mais irregulares. O fenômeno pode favorecer períodos de calor mais frequentes, alterações na passagem de frentes frias e chuvas mal distribuídas.

Outro efeito esperado é o aumento da ocorrência de ondas de calor, principalmente durante a primavera e o verão.

 El Niño também influencia a temperatura global

O El Niño ocorre dentro do sistema climático conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul), que possui fases quentes, frias — associadas à La Niña — e neutras.

Durante episódios fortes de El Niño, a temperatura média do planeta tende a aumentar ainda mais. Isso acontece porque o fenômeno altera a distribuição de calor armazenado nos oceanos e influencia a circulação atmosférica global.

O cenário atual chama atenção porque o fenômeno se desenvolve em um planeta que já apresenta temperaturas mais elevadas por causa do aquecimento global. Assim, eventos climáticos extremos podem se tornar mais frequentes ou intensos.

 

 

 

Informações: G1.

 

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