Panorama

Comentarista paraguaio é afastado da Copa após críticas à Fifa em caso ligado à “Lei Vini Jr.”

Miguel Almirón é expulso após tapar a boca em discussão com adversário em Turquia x Paraguai — Foto: Richard Heathcote/Getty Images

 

O comentarista paraguaio Jorge “Chipi” Vera teve sua credencial retirada pela Fifa e foi desligado da cobertura da Copa do Mundo nesta segunda-feira. A decisão ocorreu após declarações feitas ao vivo durante a transmissão da partida entre Paraguai e Turquia, no último sábado, quando o profissional fez críticas duras à arbitragem e à entidade máxima do futebol.

A reação de Vera aconteceu após a expulsão de Miguel Almirón, que recebeu cartão vermelho por uma infração associada à chamada “Lei Vini Jr.” Norma recentemente adotada no torneio que prevê punições mais severas para jogadores que cubram a boca ao se comunicar com adversários ou árbitros.

Durante a transmissão, o comentarista utilizou termos ofensivos ao se referir à arbitragem e dirigentes da Fifa, acusando-os de prejudicar o futebol e chamando-os de “ladrões”. Segundo a entidade, houve “ataques pessoais repetidos e comentários depreciativos”, o que motivou a revogação imediata da credencial.

Em nota e posteriormente em suas redes sociais, o jornalista reconheceu o excesso e pediu desculpas públicas, afirmando que discordar de decisões ou regras não justifica perder o controle.

A emissora ABC, onde Vera atua, confirmou o afastamento em cumprimento às diretrizes da Fifa, mas classificou a punição como excessiva, destacando a retratação do profissional.

A expulsão de Almirón, que desencadeou a polêmica, foi a primeira aplicação da “Lei Vini Jr.” em uma Copa do Mundo. A regra busca coibir possíveis ofensas dentro de campo e já começa a gerar debates entre atletas, torcedores e especialistas.

O caso também repercutiu entre entidades de imprensa no Paraguai, que apontaram preocupação com liberdade de expressão e chegaram a classificar a decisão como um precedente preocupante. Já organizações de jornalistas esportivos pediram revisão da punição.

O episódio se soma a outros casos recentes envolvendo profissionais de mídia durante o Mundial, reforçando a tensão entre cobertura jornalística, conduta em transmissões ao vivo e regras disciplinares impostas pela Fifa.

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