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Panorama

Mortes violentas atingem menor índice em 13 anos no Brasil, mas Rio de Janeiro registra alta

Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo

 

O Brasil registrou, em 2025, a menor taxa de mortes violentas intencionais desde o início da série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2012. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (23), mostram que o índice nacional caiu de 20,6 para 19,1 mortes por 100 mil habitantes, uma redução de 8,2% em relação ao ano anterior.

Em números absolutos, o país contabilizou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, contra 44.127 registradas em 2024. Foi a primeira vez que a taxa ficou abaixo de 20 mortes por 100 mil habitantes.

O indicador reúne os casos de homicídio doloso, feminicídio, latrocínio (roubo seguido de morte), lesão corporal seguida de morte, mortes decorrentes de intervenções policiais e mortes de policiais em serviço ou fora dele.

Apesar da redução registrada no cenário nacional, sete unidades da federação apresentaram aumento nas mortes violentas intencionais. O Rio Grande do Norte lidera o crescimento, com alta de 19,6%, seguido por Rondônia (7,5%), Acre (6,3%), Roraima (5,8%), Distrito Federal (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%).

Nos demais estados houve queda, com destaque para Amazonas (-32,5%), Rio Grande do Sul (-25,7%), Mato Grosso (-23,2%), Piauí (-15,7%), Paraná (-15,5%), Minas Gerais (-14,2%), Goiás (-12,7%), Santa Catarina (-11,1%), Bahia (-9,6%), Pernambuco (-9,3%), Espírito Santo (-8,4%), Ceará (-7,5%), Alagoas (-6,6%), Amapá (-5,9%), Paraíba (-3,9%), São Paulo (-3,9%), Pará (-3,7%), Sergipe (-3%), Tocantins (-2,2%) e Maranhão (-2,2%).

O levantamento também mostra redução em diferentes modalidades de crimes letais. Os homicídios dolosos diminuíram 10%, os latrocínios caíram 17% e os casos de lesão corporal seguida de morte tiveram retração de 15,2%.

Em contrapartida, as mortes decorrentes de intervenção policial cresceram 5,4%, enquanto os feminicídios aumentaram 4% em relação ao ano anterior, mantendo a tendência de alta observada nos últimos anos.

Feminicídios batem novo recorde

O Anuário revela que 44,4% das mulheres assassinadas em 2025 foram mortas por razões de gênero, o maior percentual desde que o feminicídio passou a integrar o Código Penal, em 2015.

Ao longo do ano, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio no país, o equivalente a uma média de 4,3 mortes por dia. A taxa nacional chegou a 1,4 caso por 100 mil mulheres.

As tentativas de feminicídio também cresceram. Foram registrados 4.189 casos em 2025, alta de 5,9% na comparação com o ano anterior. Na prática, para cada feminicídio consumado houve quase três tentativas.

Segundo o estudo, as maiores taxas de feminicídios consumados e tentados foram registradas nas regiões Centro-Oeste (9,8 vítimas por 100 mil mulheres) e Norte (8). Já Sudeste (4,2), Nordeste (4,8) e Sul (5,2) apresentaram índices menores de violência letal de gênero.

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