Prefeitura afirma que tubulações foram atingidas em Rancho Novo e receberam adaptações provisórias; município já cobra mudanças no sistema desde 2024

Danos em tubulações de drenagem durante as obras de ampliação da Via Dutra levaram a Prefeitura de Nova Iguaçu a acionar o Ibama. O problema foi identificado em trechos do bairro Rancho Novo e reacendeu uma disputa que já envolve a concessionária Ecovias Rio Minas, a ANTT, o Ministério Público e a Justiça.
Durante uma vistoria entre a Rua Luís Sobral, a Avenida Nilo Peçanha e a Rua Panamá, técnicos municipais encontraram partes da rede de drenagem atingidas pelos serviços na rodovia.
Segundo a Prefeitura, em vez da substituição completa das tubulações danificadas, foram feitas adaptações para recompor os trechos. As intervenções, chamadas informalmente de “bacalhaus” por equipes de campo, foram registradas em vídeo e encaminhadas ao Ibama.
O órgão federal é responsável pelo licenciamento ambiental das obras de ampliação da rodovia. Agora, o município pede que sejam cobrados reparos e soluções capazes de evitar prejuízos ao sistema de escoamento da cidade.
A preocupação vai além dos pontos danificados. Desde 2024, Nova Iguaçu cobra que a ampliação das pistas seja acompanhada de mudanças na drenagem existente.
Grande parte da água da chuva que cai em áreas urbanizadas do município precisa atravessar galerias e canais localizados sob a Dutra antes de chegar aos rios. Com o crescimento da cidade e o aumento das áreas ocupadas, a Prefeitura sustenta que a estrutura atual precisa ganhar capacidade para evitar represamentos.
A avaliação dos técnicos municipais é de que, sem essas adequações, a própria rodovia pode dificultar o escoamento da água e aumentar o risco de alagamentos em bairros próximos.
Projetos de drenagem são cobrados desde 2025
Em setembro do ano passado, uma reunião entre Prefeitura, Ecovias Rio Minas e Agência Nacional de Transportes Terrestres estabeleceu prazo de 90 dias para a apresentação de projetos voltados à ampliação da rede de drenagem.
Segundo o município, o prazo terminou sem que os estudos fossem entregues.
Em fevereiro deste ano, uma nova vistoria encontrou as obras avançando para a etapa de pavimentação sem que as intervenções de drenagem consideradas necessárias pela Prefeitura estivessem suficientemente demonstradas.
Após reuniões e notificações, o município levou a discussão à Justiça e pediu a paralisação das obras até que fossem apresentadas soluções para compatibilizar a ampliação da Dutra com a rede de drenagem de Nova Iguaçu.
O caso também passou a ser acompanhado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
A concessão da rodovia prevê cerca de R$ 14 bilhões em investimentos. Para a Prefeitura, a modernização da Dutra precisa considerar não apenas a expansão das pistas, mas também os impactos da obra sobre os bairros que cresceram ao redor da estrada.
Com a identificação dos novos danos em Rancho Novo, o município decidiu ampliar a cobrança e levar o caso diretamente ao Ibama.



