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Panorama

Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor; nova cobrança pode ser anunciada ainda nesta semana

Lula e Trump — Foto: Ricardo Stuckert/PR

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros começou a valer nesta quarta-feira (22), ampliando as restrições comerciais entre os dois países. A medida foi adotada pelo governo norte-americano após uma investigação sobre práticas comerciais envolvendo temas como o sistema de pagamentos Pix, o mercado de etanol e questões ambientais ligadas ao desmatamento na Amazônia.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a nova taxação deve impactar aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado dos Estados Unidos, o equivalente a cerca de US$ 7,4 bilhões com base nas vendas realizadas em 2024. Considerando os números de 2025, a parcela afetada representa cerca de 15% das exportações para o país, somando US$ 5,8 bilhões.

Apesar da nova tarifa, mais de dois mil produtos brasileiros foram excluídos da medida. Entre os itens que ficaram de fora estão café, carne bovina e suco de laranja. As autoridades norte-americanas justificaram as exceções afirmando que esses produtos são considerados importantes para o abastecimento interno e que sua tributação poderia provocar impactos na economia dos Estados Unidos.

O governo brasileiro contestou a decisão, classificando a medida como injustificada do ponto de vista comercial. A avaliação é de que a relação entre os dois países é superavitária para os Estados Unidos, o que, na visão do Executivo, não sustentaria a aplicação da tarifa.

Enquanto mantém diálogo com representantes do setor produtivo, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a prioridade é buscar uma solução por meio da negociação, embora a Lei da Reciprocidade Econômica permaneça como instrumento disponível caso seja necessário. O Ministério do Desenvolvimento informou que ainda não há prazo para anunciar eventuais medidas em resposta à decisão norte-americana.

Além da tarifa já em vigor, o governo dos Estados Unidos poderá anunciar até a próxima sexta-feira (24) uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos importados de diversos países, incluindo o Brasil. A cobrança faz parte de uma investigação relacionada à importação de mercadorias produzidas com uso de trabalho análogo à escravidão e, segundo o governo norte-americano, deverá alcançar dezenas de países e também a União Europeia. Caso seja confirmada, a nova tarifa poderá ser aplicada de forma cumulativa às alíquotas já existentes sobre parte dos produtos brasileiros.

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