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Panorama

TRE-MG rejeita registro de Eduardo Cunha para disputar vaga na Câmara

Decisão foi unânime e considerou que ex-deputado permanece inelegível até fevereiro de 2027; defesa anunciou recurso

Antonio Cruz/ Agência Brasil

A tentativa de Eduardo Cunha (Republicanos) de voltar à Câmara dos Deputados esbarrou na Justiça Eleitoral de Minas Gerais. Por unanimidade, o TRE-MG indeferiu o registro da candidatura do ex-presidente da Casa a deputado federal pelo estado.

O julgamento aconteceu na quinta-feira (3) e terminou com placar de 6 a 0. Para os desembargadores, os efeitos da inelegibilidade decorrente da cassação do mandato de Cunha, ocorrida em 2016, ainda alcançam as eleições deste ano.

Pelo entendimento adotado pela Corte, o impedimento termina apenas em 1º de fevereiro de 2027.

Um dos principais pontos discutidos no processo foi a mudança promovida em 2025 na legislação que trata da contagem dos períodos de inelegibilidade. No julgamento, o TRE-MG afastou, para o caso de Cunha, a aplicação das alterações da Lei Complementar 219/2025 por considerá-las incompatíveis com as garantias constitucionais de moralidade e probidade administrativa.

Com isso, prevaleceu a regra anterior da Lei da Ficha Limpa aplicada à cassação do ex-parlamentar.

Eduardo Cunha perdeu o mandato em setembro de 2016 por quebra de decoro parlamentar. Como a legislatura para a qual havia sido eleito terminou no início de 2019, o TRE-MG considerou que o período de oito anos de inelegibilidade se estende até fevereiro do próximo ano.

O processo teve impugnações apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral e pela candidata a deputada estadual Roberta Lopes Alves (PL). Outros elementos da trajetória judicial de Cunha também foram analisados durante a discussão, mas a cassação e o prazo de inelegibilidade foram suficientes para impedir, nesta etapa, o registro.

A disputa, porém, ainda não terminou. Cunha anunciou que recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e criticou a decisão, que classificou como “política” e “teratológica”. Ele também contestou a possibilidade de o TRE-MG afastar a aplicação da lei complementar federal.

Enquanto houver recurso pendente, o ex-deputado poderá continuar fazendo campanha e disputar a eleição com a candidatura sub judice. A situação definitiva dependerá das próximas decisões da Justiça Eleitoral.

Cunha tenta retornar à Câmara dez anos depois de ter o mandato cassado. Em 2022, ele também concorreu a deputado federal, mas não conseguiu se eleger.

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