Pular para o conteúdo principal

Panorama

Ministério da Justiça abre processo contra site de revenda de ingressos por possível indução ao consumidor


Marcello Casal jr / Agência Brasil

 

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), instaurou um processo administrativo contra a plataforma de revenda de ingressos Viagogo por suspeitas de práticas que podem induzir consumidores ao erro durante a compra de entradas para eventos.

Como medida cautelar, o órgão determinou que o site passe a informar, de forma clara e visível em todos os seus ambientes, que atua como uma plataforma de revenda de ingressos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 100 mil.

Segundo o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, as investigações apontaram que a plataforma não esclarece adequadamente seu modelo de atuação, levando muitos usuários a acreditar que estão comprando ingressos diretamente do canal oficial de vendas.

Suspeitas sobre transparência e rastreabilidade

Além da falta de clareza sobre a natureza da plataforma, a Senacon também identificou possíveis irregularidades relacionadas à identificação dos vendedores e à rastreabilidade das operações realizadas no site.

O secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, destacou que muitos consumidores podem não perceber que estão adquirindo ingressos revendidos, frequentemente por valores superiores aos praticados originalmente.

Uso de robôs também preocupa

Outro ponto levantado pelo Ministério da Justiça é o uso de sistemas automatizados, conhecidos como robôs, para adquirir grandes quantidades de ingressos assim que as vendas oficiais são abertas.

De acordo com Victor Fernandes, esses mecanismos funcionam como uma espécie de “cambista digital”, comprando rapidamente os ingressos nos canais oficiais para revendê-los posteriormente com preços mais elevados.

A Viagogo terá 20 dias para apresentar defesa no processo administrativo. Até o momento, a empresa não se manifestou sobre a decisão.

A Senacon informou ainda que também monitora plataformas de venda oficial de ingressos para apurar possíveis cobranças abusivas de taxas e falhas no atendimento ao consumidor no pós-venda, embora, por enquanto, nenhuma medida tenha sido adotada contra esses sites.

Compartilhar :

Facebook
Twitter