Fábio Luan Silveira Pio foi detido pela Delegacia Especializada em Crimes contra Criança e Adolescente

O animador se tornou réu ainda por armazenamento e compartilhamento de pornografia infantil. De acordo com as investigações, Fábio figura como receber de conteúdo envolvendo abuso e exploração sexual infantil no Facebook, por meio de dois grupos destinados à troca de materiais do gênero, os quais totalizavam 48 integrantes.
A Polícia Federal já havia recebido dois relatórios de uma organização dos Estados Unidos voltada ao combate a esse tipo de crime sobre atividades de Fábio relacionadas ao armazenamento, compartilhamento e produção de conteúdo de abuso infatojuvenil.
No dia 20 de março, após autorização da Justiça, aparelhos celulares do réu foram apreendidos. Em 12 de junho, o laudo técnico da perícia confirmou a presença de conteúdo pornográfico infantil, incluindo dezenas de fotos e vídeos.
— São cenas fortíssimas, de bebês sendo estuprados e meninas em torno de 6 anos com a vagina exposta, além de homens tocando essas vítimas — revela a advogada Quézia Cristina, do Programa Empoderadas, que defende a família.
Quézia destaca a importância de dar credibilidade ao relato da vítima:
— É fundamental que, mesmo sendo criança, a vítima seja ouvida com atenção. Se essa mãe desacreditasse da menina, certamente o abusador não seria preso. Ele tinha cerca de seis mil seguidores no Instagram, onde postava conteúdos de cosplay, e estava completamente imerso no universo da crianças. Então, a iniciativa dessa menina foi fundamental para evitar outras vítimas no futuro.
O suspeito foi encaminhado para a Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap) e, até quinta-feira (02), deverá passar por uma audiência de custódia, que decidirá se ficará preso ou não.
Empoderadas
O Programa Empoderadas, do Governo do Estado, oferece rede de apoio multidisciplinar e gratuita, voltada à prevenção e ao enfrentamento da violência contra meninas e mulheres, composta por:
aulas técnicas para leitura corporal e desvencilhamento, realizadas em tatames e com a instrução de professoras especialistas em artes marciais;
assistência e acolhimento nas áreas jurídica, social e psicológica;
além de cursos profissionalizantes para combater a dependência financeira.
O projeto reafirma seu compromisso com a proteção integral de meninas e mulheres vítimas, e diz que continua acompanhando de perto os desdobramentos judiciais do caso.
— O caso é extremamente grave. E, mais uma vez, a escuta atenta da criança foi o que possibilitou que o processo não fosse silenciado. Precisamos confiar nos relatos infantis, dar nome aos fatos e garantir que a proteção da infância esteja acima de qualquer contrato informal ou fantasia — afirma Érica Paes, fundadora do programa.



