Estado já contabiliza 211 infecções em 2026, superando o total registrado durante todo o ano passado. Especialistas alertam para a possível circulação de uma nova variante do vírus e reforçam a importância da prevenção.

O avanço dos casos de Mpox no estado do Rio de Janeiro tem preocupado médicos e autoridades sanitárias. Dados divulgados nesta sexta-feira (30) mostram que o estado já registrou 211 casos confirmados da doença em 2026, número superior aos 119 diagnósticos contabilizados durante todo o ano de 2025.
O crescimento se intensificou nos últimos dois meses. Somente em setembro e outubro foram confirmadas 90 infecções, sendo 45 em cada mês. No mesmo período do ano passado, haviam sido registrados apenas dez casos, o que representa um aumento de 800%. Outros 117 pacientes ainda aguardam a conclusão das investigações.
Na capital fluminense, o cenário também exige atenção. Segundo o Observatório Epidemiológico da Cidade do Rio, foram confirmados 167 casos neste ano, contra 94 durante todo o ano anterior. Desse total, 74 diagnósticos ocorreram entre setembro e outubro. Há ainda 81 casos suspeitos sob investigação.
Ex-secretário de Saúde alerta para aumento das infecções
O deputado federal Daniel Soranz, que já ocupou o cargo de secretário municipal de Saúde do Rio, manifestou preocupação com o avanço da doença. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar informou que dez pacientes estavam internados com Mpox na cidade.
Soranz destacou que o diagnóstico pode ser realizado por meio da coleta de material das lesões de pele, posteriormente encaminhado ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen). Segundo ele, as unidades básicas de saúde estão preparadas para realizar esse procedimento.
O deputado também cobrou do Ministério da Saúde a ampliação da oferta de vacinas contra a doença, ressaltando que a cobertura dos grupos mais vulneráveis ainda é insuficiente.
O imunizante utilizado na prevenção da Mpox é o MVA-BN, administrado normalmente em duas doses, com intervalo de 28 dias. Entretanto, conforme as informações divulgadas, há dificuldades na disponibilidade de doses na rede pública.
Especialistas investigam circulação de nova variante
Além do aumento expressivo de diagnósticos, pesquisadores acompanham a possível expansão de uma nova variante do vírus no território fluminense.
O infectologista Rafael Galliez, vice-diretor do Núcleo de Enfrentamento e Estudos de Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes (Needier), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), informou que estudos de sequenciamento genético apontam a circulação do clado 1b no estado.
Essa variante ganhou atenção internacional após ser identificada em surtos na África, especialmente na República Democrática do Congo.
Apesar da preocupação, o especialista ressalta que ainda não existem evidências suficientes para associar diretamente a circulação da variante ao crescimento recente das infecções no Rio.
As secretarias estadual e municipal de Saúde informaram que monitoram o cenário epidemiológico e adotam medidas preventivas. Até o momento, segundo os órgãos, a situação não foi oficialmente classificada como surto ou epidemia.
Quais são os principais sintomas da Mpox?
A Mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus que pode provocar manifestações na pele e sintomas semelhantes aos de outras infecções virais.
Entre os sinais mais comuns estão:
- Lesões na pele, que podem surgir como bolhas ou pequenas feridas;
- Febre e sensação de mal-estar;
- Dores musculares e no corpo;
- Aumento dos gânglios linfáticos, conhecidos popularmente como ínguas;
- Lesões nas regiões genital, anal e oral;
- Dor de garganta e dificuldade para engolir em determinados casos.
A infectologista Marcia Rachid chama atenção para os riscos enfrentados por pessoas com o sistema imunológico comprometido, especialmente pacientes que vivem com HIV e apresentam imunossupressão avançada.
Embora muitos pacientes se recuperem sem complicações graves, a doença pode exigir hospitalização, sobretudo entre pessoas imunossuprimidas, crianças e gestantes.
Como ocorre a transmissão e quais cuidados são necessários?
A transmissão acontece principalmente pelo contato próximo com pessoas infectadas, especialmente com lesões de pele, mucosas e fluidos corporais. O compartilhamento de roupas, toalhas e roupas de cama contaminadas também representa risco.
O contato íntimo, incluindo relações sexuais, é uma das principais situações de exposição. Entretanto, a Mpox não é uma doença exclusivamente sexual e pode atingir qualquer pessoa que tenha contato com o vírus.
Para reduzir as chances de contaminação, especialistas recomendam evitar contato físico com lesões suspeitas, não compartilhar objetos pessoais, higienizar frequentemente as mãos e procurar atendimento médico ao apresentar sintomas.
Pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem seguir as orientações de isolamento e evitar contato próximo até que todas as lesões estejam completamente cicatrizadas, com formação de uma nova camada de pele.
O uso de preservativos pode diminuir determinados riscos durante relações sexuais, mas não elimina a possibilidade de transmissão, já que as lesões podem estar presentes em regiões não cobertas.
Onde procurar atendimento no Rio de Janeiro?
A rede pública de saúde conta com unidades preparadas para avaliar pacientes com suspeita de Mpox e encaminhar exames para confirmação laboratorial.
Uma das principais referências é o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, localizado na Avenida Brasil, nº 4.365, em Manguinhos, na Zona Norte do Rio. A instituição mantém atendimento especializado, incluindo serviço 24 horas para casos suspeitos ou confirmados.
Outra referência é o Needier, da UFRJ, situado na Avenida Carlos Chagas, nº 791, Quadra F, na Cidade Universitária.
De acordo com informações da Fiocruz, entre janeiro e 22 de outubro deste ano, 129 pessoas tiveram a infecção confirmada laboratorialmente no instituto. Desse total, 75 diagnósticos ocorreram a partir de setembro.
As autoridades reforçam que identificar a doença rapidamente é fundamental para interromper cadeias de transmissão e garantir o acompanhamento adequado dos pacientes.
Fonte: Informações divulgadas pelo jornal O Globo em 30 de outubro de 2026, com dados da vigilância epidemiológica, Fiocruz, UFRJ e declarações de especialistas e autoridades de saúde.


