Atacante peruano acusa o clube de agir por “vingança” após saída para o Internacional; dois processos seguem em andamento

A longa disputa judicial entre Paolo Guerrero e o Flamengo ganhou um novo capítulo. O atacante peruano, de 42 anos, apresentou uma contestação à Justiça do Rio em que afirma que uma das ações movidas pelo clube teria caráter de retaliação pela decisão do jogador de deixar o Rubro-Negro e acertar com o Internacional, em 2018.
Ao mesmo tempo, clube e atleta informaram ao Judiciário que estão negociando uma possível solução consensual para encerrar parte do conflito, que já se arrasta há oito anos.
Atualmente, existem dois processos envolvendo as partes.
Defesa fala em tentativa de “vingança”
Em uma das ações, o Flamengo cobra R$ 200 mil por danos morais e incluiu também a Federação Peruana de Futebol no processo.
Na manifestação apresentada em agosto, a defesa de Guerrero contestou a tentativa do clube de atribuir ao jogador prejuízos que envolveriam perda de premiações, redução no número de associados, queda nas vendas, impacto na bilheteria e eventuais danos em contratos de patrocínio.
Os advogados sustentam que a cobrança teria surgido da frustração do Flamengo por não conseguir renovar o contrato do atacante antes da transferência para o Internacional.
A tramitação desse processo foi mais lenta porque Guerrero e a Federação Peruana tinham endereços no Peru. Ao longo dos anos, o Flamengo precisou solicitar o cumprimento de determinações judiciais no país vizinho para que as partes fossem formalmente citadas.
Outro processo chegou ao STJ
A segunda ação já teve decisões desfavoráveis ao Flamengo em diferentes instâncias.
Nesse caso, o clube foi condenado ao pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 10% do valor da causa, cerca de R$ 180 mil.
O processo chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde o Rubro-Negro tenta modificar os resultados obtidos nas instâncias anteriores.
Em agosto deste ano, porém, Flamengo e Guerrero apresentaram uma petição conjunta informando que estavam negociando um acordo. As partes pediram a suspensão temporária do julgamento enquanto as conversas avançam.
Disputa começou após suspensão por doping
Guerrero vestiu a camisa do Flamengo entre maio de 2015 e agosto de 2018. A relação entre jogador e clube ficou abalada após o atacante ser suspenso pela Corte Arbitral do Esporte por 14 meses em um caso de doping.
O exame identificou um metabólito da cocaína. Durante parte do processo, Guerrero conseguiu atuar por meio de efeito suspensivo.
Depois da saída para o Internacional, o Flamengo abriu duas ações contra o peruano.
Em uma delas, o clube cobrava R$ 1,8 milhão como ressarcimento por valores pagos durante os 120 dias em que o atleta permaneceu suspenso. O argumento rubro-negro era de que o episódio teria prejudicado a imagem do clube e impedido o aproveitamento dos direitos de imagem contratados.
Guerrero responsabiliza Federação Peruana
A defesa do atacante sustenta que o próprio Flamengo já havia reconhecido anteriormente que a ingestão da substância proibida não teria ocorrido por iniciativa do jogador.
Segundo essa versão, Guerrero consumiu um chá indicado por uma nutricionista ligada à Federação Peruana de Futebol, responsável pelo acompanhamento do atleta naquele período.
A tese é de que eventual responsabilidade pelo episódio deveria ser atribuída à estrutura da seleção peruana, e não ao atacante.
Mesmo ainda em atividade aos 42 anos, Guerrero segue envolvido fora de campo na disputa judicial iniciada após sua saída do Flamengo. Agora, a possibilidade de acordo pode encerrar um conflito que atravessou quase toda a fase final da carreira do centroavante.



