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Panorama

Dívida do Corinthians com Carlos Leite passa de R$ 90 milhões após novo acordo

Clube abriu mão de recorrer em processo de R$ 10,2 milhões; empresário receberá valor pelo regime centralizado de execuções

Carlos Leite tem quase R$ 100 milhões a receber do Corinthians — Foto: André Durão

A relação financeira entre o Corinthians e o empresário Carlos Leite, iniciada há mais de uma década, ganhou um novo capítulo. O clube fechou um acordo judicial envolvendo R$ 10,2 milhões e, somado a outras pendências já reconhecidas, o montante devido ao agente e a empresas ligadas a ele supera R$ 90 milhões.

No entendimento homologado pela Justiça de São Paulo, o Corinthians decidiu não apresentar recurso contra a condenação referente a comissões pela negociação de Felipe Bastos, em 2017, e a valores ligados aos direitos de imagem do ex-jogador, no ano seguinte.

Em troca, Carlos Leite concordou em incluir o crédito no Regime Centralizado de Execuções (RCE) do clube. Dessa forma, o pagamento não será cobrado por uma execução separada e seguirá o mesmo sistema utilizado para quitar débitos com outros credores corintianos.

A decisão foi homologada pelo juiz Miguel Ferrari Júnior, da 43ª Vara Cível de São Paulo. Para o clube, a composição também evita novas despesas com recursos, custas e honorários em uma disputa cuja linha de defesa já havia sido rejeitada em processos semelhantes.

Pendências acumuladas desde 2014

O acordo de R$ 10,2 milhões representa apenas uma parcela do passivo relacionado ao empresário. Outros R$ 81,1 milhões já aparecem entre as obrigações incluídas no RCE do Corinthians.

As dívidas estão ligadas principalmente a intermediações de contratações, vendas e renovações de jogadores ao longo de diferentes administrações.

Um dos processos, movido pela RC Consultoria & Assessoria Esportiva, reúne cobranças envolvendo nomes como Cássio, Fagner, Ramon Motta, Elias, Felipe Bastos e Matheus Matias. O valor, inicialmente calculado em R$ 22,7 milhões, chegou a cerca de R$ 26,5 milhões com atualizações.

Outra ação, da B&C Consultoria & Assessoria Esportiva, concentra negociações realizadas entre 2018 e 2022. Entre elas estão operações envolvendo Cássio, Fagner, Camacho, Mateus Vital, Jonathas, Gil e Renato Augusto. Nesse caso, uma cobrança que começou em R$ 33,4 milhões foi atualizada para aproximadamente R$ 54,6 milhões.

Tentativa anterior de acordo não avançou

Parte dessas pendências chegou a ser objeto de uma negociação no fim de 2023, durante a gestão de Duilio Monteiro Alves. A proposta previa que empresários recebessem por meio de créditos relacionados ao contrato do Corinthians com a Brax, responsável pela exploração de publicidade em partidas do clube.

O modelo, porém, não foi concluído. Carlos Leite afirma que, diante da falta de solução posterior, levou as cobranças à Justiça no início de 2024.

A ligação financeira do empresário com o Corinthians é anterior a esses processos. Em outros momentos, Leite chegou a emprestar recursos diretamente ao clube. Uma dívida decorrente de um mútuo de R$ 4,1 milhões firmado em 2017, que cresceu com a incidência de juros, já foi quitada.

Desde o surgimento das primeiras pendências com o agente, o Corinthians passou pelas gestões de Mario Gobbi, Roberto de Andrade, Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves, Augusto Melo e Osmar Stabile.

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