Acordo previa pagamentos de R$ 3,6 milhões por mês ao escritório da advogada

A advogada Viviane Barci de Moraes confirmou que consultou o marido, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), antes de assinar um contrato de R$ 131 milhões entre seu escritório e o Banco Master, então comandado por Daniel Vorcaro.
Segundo nota divulgada pela advogada, a consulta ocorreu para verificar se havia algum impedimento jurídico para a contratação em razão de seu vínculo familiar com o ministro. Viviane afirma que o acordo somente foi firmado depois de concluído que não existia impedimento legal e que Moraes nunca havia julgado processos envolvendo o banco.
A participação do ministro na análise do documento também é apontada por informações reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo. Metadados do arquivo obtido a partir do celular de Vorcaro registram uma edição feita, em 15 de janeiro de 2024, por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
O registro aparece às 23h04, cerca de uma hora e 40 minutos depois de Vorcaro ter encaminhado o documento a Viviane. O arquivo indicava como autor original Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório da advogada.
Dois dias depois, em 17 de janeiro, Viviane encaminhou uma minuta do contrato ao então banqueiro por WhatsApp. As mensagens fazem parte do material analisado pela Polícia Federal.
Contrato previa R$ 3,6 milhões mensais
A existência do acordo entre o escritório de Viviane e o Banco Master havia sido revelada em dezembro de 2025 pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo.
O contrato previa remuneração mensal de R$ 3,6 milhões durante 36 meses, o que poderia alcançar aproximadamente R$ 131 milhões. Os serviços começaram em 2024.
Os pagamentos foram interrompidos após a primeira prisão de Daniel Vorcaro, em novembro de 2025. Parte dos valores pagos apareceu posteriormente em informações fiscais do banco encaminhadas à CPI do Crime Organizado no Senado.
Em março deste ano, o escritório de Viviane informou que, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, produziu 36 pareceres e participou de 94 reuniões relacionadas ao Master. Segundo a defesa, os trabalhos envolveram consultoria jurídica, análise de documentos e discussão de questões legais.
O acordo tinha objeto amplo e permitia a atuação do escritório em diferentes demandas do banco, sem restringir os serviços a um único processo.
Entre os casos em que Viviane atuou está uma queixa-crime apresentada por Vorcaro e pelo Master contra o investidor Vladimir Timerman, da Esh Capital, em abril de 2024.
Caso Master também é analisado no STF
Em outra frente das investigações relacionadas ao Banco Master, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um relatório da Polícia Federal sobre mensagens encontradas no celular de Vorcaro.
Mendonça deu prazo de cinco dias para que a PGR se manifeste sobre o conteúdo.
Segundo reportagens publicadas sobre a investigação, entre as mensagens analisadas estão conversas em que Vorcaro teria pedido ajuda a Moraes diante de medidas que poderiam atingir o banco e mencionado o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
As mensagens fazem parte do material sob análise das autoridades e não significam, por si só, comprovação de eventual irregularidade por parte dos citados.
Procurados na reportagem original, Moraes, Gonet e Andrei Rodrigues não haviam se manifestado até a publicação.


