
Os rodoviários iniciaram, à meia-noite desta segunda-feira (29), uma greve por tempo indeterminado no município do Rio de Janeiro. A paralisação foi aprovada em assembleia realizada no domingo (28) e, apesar de uma decisão da Justiça do Trabalho determinar a circulação mínima de 50% da frota, o transporte coletivo começou o dia operando abaixo do previsto.
Segundo o Rio Ônibus, apenas cerca de 860 veículos deixaram as garagens nas primeiras horas da manhã, número inferior aos aproximadamente 1.800 ônibus que deveriam estar em circulação para cumprir a determinação judicial. A entidade informou ainda que mais de 40 coletivos foram vandalizados durante piquetes realizados na madrugada. Uma pessoa ficou ferida em uma das ocorrências, mas até o momento não há informações sobre sua identidade ou estado de saúde.
População enfrenta dificuldades
A paralisação provocou longas filas em diversos pontos da cidade. Passageiros relataram demora de até duas horas por ônibus e, em algumas regiões, afirmaram que nenhuma linha passou durante a manhã. Muitos recorreram a aplicativos de transporte para conseguir chegar ao trabalho.
Como alternativa, o Centro de Operações Rio informou que os sistemas de metrô, trens e barcas operam normalmente. Já a MOBI-Rio informou que o BRT funciona com cerca de 68% da frota planejada para o dia, mantendo todas as estações abertas.
O que reivindica a categoria
Os rodoviários reivindicam reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Entre os principais pedidos estão a mudança da data-base para março, salários de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados e R$ 4 mil para os demais profissionais, contratação dos trabalhadores do BRT pelo regime CLT, tíquete-alimentação de R$ 1 mil, jornada de trabalho 5×2, manutenção do passe livre da categoria, indenização do intervalo de almoço e implantação de planos de saúde e odontológico.
O sindicato também cobra melhorias na infraestrutura dos terminais, com instalação de banheiros e bebedouros, além de medidas para reforçar a segurança dos trabalhadores diante do aumento de casos de violência, incluindo sequestros e a utilização de ônibus como barricadas.
Troca de acusações
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que a categoria tenta cumprir a determinação judicial, mas atribuiu ao Rio Ônibus a responsabilidade pela baixa circulação de veículos, alegando que as empresas não encaminharam a escala de trabalho necessária para organizar os rodoviários.
Em contrapartida, o Rio Ônibus informou que todas as garagens permaneceram abertas desde a meia-noite e que os ônibus estavam prontos para operar. Segundo a entidade, os atos de vandalismo praticados durante os piquetes prejudicaram a saída dos coletivos e comprometeram o cumprimento da decisão judicial.
Prefeitura acompanha a situação
A Prefeitura do Rio informou que acompanha a situação por meio do Centro de Operações e que equipes foram mobilizadas para reduzir os impactos da paralisação. O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que o município trabalha para garantir o funcionamento do transporte e destacou que o sistema BRT opera com percentual superior ao inicialmente previsto para um dia de ponto facultativo, decretado em razão do jogo da Seleção Brasileira pela Copa do Mundo.
Próximos passos
A greve foi considerada legal pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, que determinou a manutenção de pelo menos 50% da frota em circulação durante todo o período da paralisação. Em caso de descumprimento da decisão, sindicatos de trabalhadores e das empresas poderão ser multados em R$ 50 mil por dia, cada um.
Uma audiência de mediação entre representantes dos rodoviários, empresários e o Tribunal Regional do Trabalho está marcada para esta terça-feira. Após a reunião, a categoria realizará uma assembleia para avaliar uma eventual proposta de acordo que possa encerrar a greve.



