
A atleta paralímpica Claudia Alessandra Soares Silveira, de 48 anos, garantiu sua vaga para representar o Brasil no 5º Campeonato Mundial Militar de Tiro com Arco. O torneio internacional acontece entre os dias 17 e 24 de junho, em Warendorf, na Alemanha. Atual vice-campeã brasileira na categoria arco composto feminino W2, a arqueira nilopolitana consolida-se como um dos principais nomes da modalidade no país.
Sua entrada no esporte de alto rendimento começou em 2022, através do projeto Paradesporto Militar e Civil, uma integração entre as Forças Armadas e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). “Cada movimento era um desafio doloroso. Segurar o arco e puxar a corda exigiam muito mais do que técnica, exigiam coragem, persistência e fé”, relembra.
Antes de alcançar o topo do pódio nacional, a rotina de Claudia mudou drasticamente em 2019, quando uma complicação em uma anestesia raquidiana causou uma fístula arteriovenosa que comprometeu sua medula.
“Recebi diagnósticos difíceis e ouvi previsões que limitavam meu futuro, mas decidi não aceitar que aquela seria a minha história definitiva. Minha história não é sobre o fim de um sonho, é sobre recomeços. Cada flecha lançada prova para mim mesma que sempre é possível ir mais longe”, conta.
A rotina atual da atleta envolve treinamentos técnicos intensos, fisioterapia e musculação diária. Os resultados práticos dessa dedicação aceleraram sua reabilitação física e emocional. “Lembro até hoje quando meu neurologista olhou para minha evolução e disse: ‘Não sei o que você está fazendo, mas continue, porque está dando muito certo’.”
Formada como técnica em enfermagem e militar, Claudia foca agora em consolidar sua posição na Seleção Brasileira Paralímpica. “Tenho muito orgulho de dizer que sou nilopolitana. Ver o nome de Nilópolis levado para campeonatos estaduais, nacionais e, agora, internacionais é uma honra e uma responsabilidade que assumo com muito amor.”
Em visita de apoio na Vila Olímpica, o prefeito Abraãozinho destacou o impacto da trajetória da arqueira. “Recebemos a Claudia, que é uma atleta paralímpica do Exército Brasileiro e faz seus treinamentos na Marinha. Ela tem uma história muito bonita, que começa de uma força difícil. Falamos de fé, de superação e de esporte. Ela é um exemplo.”
O secretário de Esporte e Lazer, Paulo Moraes, complementou: “Vai muito além do arco e flecha. O esporte faz a interação, encoraja, promove e faz a pessoa se superar, e estamos aqui diante de uma guerreira.”
Para manter o ritmo de competições internacionais, a paratleta busca patrocínios e apoio por meio do programa Bolsa Atleta para investir em equipamentos de ponta. “Hoje eu sei que minha missão vai muito além das medalhas. Quero mostrar que a deficiência não encerra sonhos. Com fé, apoio familiar, oportunidade e determinação, podemos chegar a lugares que um dia pareciam impossíveis”, finaliza.



