
Um levantamento do Instituto Fogo Cruzado aponta aumento significativo da violência armada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Em fevereiro deste ano, o número de mortes por disparos de arma de fogo cresceu 32% em comparação com o mesmo mês de 2025.
Segundo o relatório, 132 pessoas foram baleadas no período. Desse total, 75 morreram e 57 ficaram feridas. Ao todo, foram contabilizados 143 tiroteios, sendo que 43% ocorreram durante ações ou operações policiais.
A maior parte das ocorrências foi registrada na cidade do Rio de Janeiro, que concentrou 66% dos tiroteios, com 95 episódios e 49 mortes.
Cinco chacinas em menos de um mês
O levantamento também identificou cinco chacinas em apenas 28 dias no Grande Rio, com 21 civis mortos. Um dos casos mais graves ocorreu em um bar em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde seis pessoas morreram e duas ficaram feridas após um ataque a tiros no início de fevereiro.
Entre as vítimas do mês está Raquel Heloísa Cádiz Vieira, de 9 anos, baleada durante um confronto entre grupos armados em uma praça no bairro do Catumbi. A criança ficou internada por cerca de duas semanas e recebeu alta no início de março.
O relatório aponta ainda que crianças, adolescentes e idosos estão entre os atingidos pela violência armada registrada no período.
Confrontos mais intensos
Apesar de o número de confrontos entre facções criminosas e milícias ter caído — de 24 para 14 ocorrências em relação a fevereiro de 2025 — as consequências foram mais graves. O total de baleados nesses episódios aumentou 400%, passando de 6 para 30 vítimas, das quais 19 morreram.
Para o coordenador regional do Fogo Cruzado, Carlos Nhanga, a redução no número de tiroteios, acompanhada pelo aumento de vítimas, indica que os confrontos estão mais violentos. Ele defende que o enfrentamento do problema precisa ir além de respostas policiais imediatas, com políticas públicas voltadas à prevenção da violência.



