
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, afirmou nesta sexta-feira (27) que cerca de 25% da população do município vive em locais considerados áreas de risco. A declaração ocorre após os temporais que atingem a Zona da Mata mineira desde o início da semana e provocaram uma série de deslizamentos e enchentes.
Até o momento, as fortes chuvas deixaram 64 mortos na região — 58 em Juiz de Fora e seis em Ubá. Segundo a prefeita, a tragédia evidencia a necessidade de intervenções estruturais em diferentes pontos da cidade para evitar novos desastres.
Ela destacou que, assim como ocorre em municípios serranos como Petrópolis e Angra dos Reis, a ocupação em encostas é uma realidade antiga em Juiz de Fora — e não restrita à população de baixa renda. De acordo com Margarida, moradores de classe média e alta também residem em imóveis construídos em áreas suscetíveis a desmoronamentos.
Ainda nesta sexta-feira, uma casa de alto padrão construída em uma encosta desabou, resultando na morte de uma pessoa. A prefeita ressaltou a dificuldade em convencer os moradores a deixarem suas casas, mesmo diante do risco iminente. Para muitas famílias, explicou, o imóvel representa a conquista de uma vida inteira.
Visita do presidente Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve visitar a região neste sábado (28). A agenda prevê sobrevoo nas áreas atingidas e reunião com lideranças locais na prefeitura de Juiz de Fora. Segundo Margarida Salomão, a expectativa é de que a visita traga apoio institucional e recursos para a reconstrução dos municípios afetados, incluindo também Matias Barbosa.
A Defesa Civil Nacional reconheceu estado de calamidade pública nas três cidades mais impactadas. O governo federal já autorizou o repasse de mais de R$ 3 milhões para ações emergenciais e recuperação de danos. A partir desta sexta, moradores das áreas atingidas também podem solicitar o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), limitado a R$ 6.220 por pessoa.
Situação dos desabrigados e alerta meteorológico
De acordo com a prefeitura, mais de 500 pessoas estão acolhidas em abrigos municipais, enquanto cerca de 5 mil estão desalojadas e buscaram apoio em casas de parentes ou amigos. Quem não puder retornar para o imóvel deverá ser incluído em programas habitacionais do município, começando pelo aluguel social até que haja solução definitiva.
Enquanto isso, o Instituto Nacional de Meteorologia mantém alerta de perigo para chuvas intensas na Zona da Mata até as 23h59 desta sábado. A previsão indica acumulados que podem variar entre 30 e 60 milímetros por hora ou até 100 milímetros por dia, além de ventos fortes. Há risco de novos alagamentos, quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia e descargas elétricas.



