Panorama

PF aponta que Sérgio Cabral buscou apoio de Rodrigo Bacellar para adiar julgamento

Sérgio Cabral — Foto: Reprodução
Sérgio Cabral. Foto: reprodução

A Polícia Federal identificou mensagens que indicam que o ex-governador do Rio Sérgio Cabral teria solicitado ajuda ao deputado estadual Rodrigo Bacellar para interferir em um processo judicial no qual era parte.

De acordo com a investigação, as conversas ocorreram em maio de 2025 e tratam de um julgamento previsto para a 6ª Câmara de Direito Público. Em uma das mensagens, enviada no dia 22 daquele mês, Cabral pede que o parlamentar atue para que o caso fosse retirado da pauta. Bacellar responde de forma breve, afirmando que daria retorno.

Dias depois, em 27 de maio, Cabral volta a procurar o deputado e informa que o processo havia sido retirado da pauta, agradecendo em seguida de maneira efusiva.

As trocas de mensagens fazem parte do inquérito que resultou no indiciamento de Bacellar, do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e de outras três pessoas. Eles são investigados por suspeita de vazamento de informações sigilosas a integrantes do Comando Vermelho.

Bacellar foi preso em 3 de dezembro durante a Operação Unha e Carne, sob suspeita de ter repassado dados da Operação Zargun — deflagrada meses antes e que levou à prisão de TH Joias. Posteriormente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, substituiu a prisão por medidas cautelares, permitindo que o deputado deixasse a cadeia no dia 9 de dezembro.

TH Joias responde por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, ele é suspeito de negociar armamentos para o Comando Vermelho e de usar o cargo público para beneficiar a facção criminosa.

As investigações apontam que o grupo buscava infiltrar-se em estruturas da administração pública para obter informações privilegiadas e garantir proteção a seus integrantes. Os envolvidos podem responder por organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

O desembargador Macário Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que chegou a ser detido no curso das apurações, não foi indiciado. Conforme a PF, o procedimento segue as normas previstas na Lei Orgânica da Magistratura, que estabelece regras específicas para a responsabilização de juízes.

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