
O ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, foi preso na manhã desta quinta-feira (26) durante uma operação da Polícia Federal que investiga o suposto desvio de recursos federais destinados ao município após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
A ação integra a segunda fase da Operação Lamaçal, que apura a possível utilização irregular de verbas do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS). Segundo a PF, os valores foram repassados à prefeitura de Lajeado em razão das fortes chuvas que causaram destruição no estado em maio de 2024.
Mandados e bloqueio de bens
Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária, autorizados pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Também houve determinação para bloqueio de ativos financeiros, sequestro de veículos e afastamento cautelar de dois investigados de cargos públicos.
As diligências ocorreram em diferentes municípios gaúchos, incluindo Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre.
Durante a operação, agentes apreenderam três veículos, equipamentos eletrônicos e documentos que podem auxiliar no andamento das investigações.
Suspeitas em licitações
De acordo com a PF, a primeira fase da operação ocorreu em novembro de 2025. A análise do material recolhido na ocasião teria reforçado indícios de irregularidades em processos licitatórios realizados pela prefeitura de Lajeado.
As investigações apontam possíveis falhas em três licitações envolvendo empresas ligadas a um mesmo grupo econômico, contratadas para prestar serviços de assistência social após as enchentes. Há suspeitas de que as contratações não tenham seguido o critério da proposta mais vantajosa para a administração pública e que os valores pagos estariam acima dos preços de mercado.
Defesa
O advogado Jair Alves Pereira, que representa Marcelo Caumo, informou que foi comunicado pela família do ex-prefeito sobre a prisão e declarou ainda não ter tido acesso à decisão judicial. Segundo ele, a medida seria desnecessária, e os fundamentos do decreto de prisão ainda são desconhecidos pela defesa.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, os investigados poderão responder por crimes como desvio de recursos públicos, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.



