Panorama

Operação Contenção avança em Duque de Caxias para frear expansão do Comando Vermelho

Policiais civis cumprem mandado na Operação Contenção — Foto: Divulgação/PCERJ
Policiais civis cumprem mandado na Operação Contenção — Foto: Divulgação/PCERJ

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram, na manhã desta quarta-feira (4), mais uma fase da Operação Contenção, voltada ao combate à expansão territorial do Comando Vermelho em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Até o momento, cinco homens foram presos. A ação prevê o cumprimento de 40 mandados de prisão e 33 de busca e apreensão.

A ofensiva é conduzida por agentes da 31ª DP (Ricardo de Albuquerque), com apoio de cerca de 120 policiais dos Departamentos-Gerais de Polícia Especializada, da Capital e da Baixada, além da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do MPRJ. As equipes atuam desde as primeiras horas do dia, principalmente na comunidade Vai Quem Quer.

Segundo as investigações, a localidade é controlada por integrantes da facção criminosa e tem como principal liderança Rodolfo Manhães Viana, conhecido como Rato. Ele está preso em um presídio federal, mas, de acordo com a Polícia Civil, continuava exercendo influência sobre o tráfico de drogas na região. Rato foi alvo de uma tentativa de resgate em fevereiro de 2025, episódio que resultou no ataque à sede da 60ª DP (Campos Elíseos).

Durante a apuração, os investigadores identificaram que os suspeitos não apenas integravam o tráfico local, como também atuavam em ações para proteger comparsas envolvidos no ataque à delegacia. Os criminosos exerciam funções estratégicas, ligadas à logística e ao financiamento das atividades da facção.

Um dos principais pontos da investigação é a existência de uma “caixinha” do tráfico, abastecida por lideranças locais. O fundo era utilizado para custear despesas de criminosos presos, apoiar familiares, adquirir armas, comprar drogas e manter a estrutura operacional do grupo. Segundo a delegada Patrícia Uana, titular da 31ª DP, os presos nesta etapa da operação têm ligação direta com esse esquema financeiro, que seria centralizado na gestão da Penha.

O governador Cláudio Castro afirmou que a Operação Contenção faz parte de uma estratégia contínua para enfraquecer as facções criminosas no estado. Desde o início das ações, mais de 300 suspeitos foram presos, outros 136 morreram em confrontos, além da apreensão de 465 armas — sendo 189 fuzis — e mais de 50 mil munições. Também foi solicitado o bloqueio de cerca de R$ 12 bilhões em bens e valores ligados ao crime organizado.

A ofensiva desta quarta-feira reforça as investigações iniciadas após o ataque à 60ª DP, quando criminosos fortemente armados tentaram resgatar Rato e outros comparsas. Na ocasião, houve intensa troca de tiros, a fachada da delegacia foi destruída e dois policiais ficaram feridos. Os presos, no entanto, já haviam sido transferidos antes da invasão.

Compartilhar :

Facebook
Twitter