Aos 94 anos, líder indígena está em Peixoto de Azevedo, em Mato Grosso, com assistência domiciliar e acompanhamento médico

O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, foi diagnosticado com um adenocarcinoma no aparelho digestivo e está recebendo cuidados paliativos em Peixoto de Azevedo, no Mato Grosso. A informação foi divulgada pelo Instituto Raoni nesta segunda-feira (14).
A decisão por esse tipo de acompanhamento levou em consideração a idade do líder indígena, o estado clínico e os riscos envolvidos em tratamentos mais agressivos.
Segundo o instituto, os cuidados paliativos não significam interrupção da assistência. O foco passa a ser o controle da dor e de outros sintomas, prevenção de complicações, manutenção da alimentação e hidratação, além de acompanhamento médico, de enfermagem e fisioterapia.
Raoni também recebe cuidados espirituais de outros pajés indígenas. A estrutura de atendimento domiciliar foi organizada em conjunto pela família, pelo Instituto Raoni, por serviços públicos de saúde, profissionais parceiros e equipes especializadas.
Saúde apresentou complicações ao longo do ano
O quadro de saúde do cacique já vinha exigindo atenção em 2026.
Em maio, ele foi internado para tratar uma hérnia. Durante o período, também foram identificados doença pulmonar obstrutiva e problemas cardíacos.
No mês seguinte, em 14 de junho, Raoni voltou a ser hospitalizado, desta vez na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop. Ele apresentava vômitos, dor abdominal e expectoração com sangue.
Cinco dias depois, foi transferido para o Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo, onde chegou com obstrução intestinal, desidratação e pneumonia por aspiração.
Raoni passou por cirurgia no dia seguinte à transferência. Em 10 de julho, apresentou um episódio de hemorragia digestiva, que foi controlado. A alta hospitalar ocorreu em 15 de julho.
Referência na defesa dos povos indígenas
Raoni é uma das principais lideranças indígenas brasileiras e ganhou projeção internacional pela atuação em defesa da Amazônia e dos direitos dos povos originários.
Mesmo com a saúde mais fragilizada, ele permaneceu ativo até recentemente. Em abril, participou do Acampamento Terra Livre, em Brasília, uma das principais mobilizações indígenas do país.
A trajetória pública de Raoni ganhou força ainda nos anos 1970, quando passou a se posicionar contra obras que ameaçavam territórios indígenas durante a ditadura militar.
A projeção internacional aumentou a partir de 1989, quando iniciou uma série de viagens ao exterior após receber o músico britânico Sting na Amazônia.



