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Panorama

Irã executa dois homens condenados por participação em protestos contra o governo

Atta Kenare/AFP

 

A Justiça do Irã executou, nesta terça-feira (28), dois homens condenados por crimes relacionados aos protestos contra o governo ocorridos em janeiro deste ano. Segundo o Poder Judiciário iraniano, Abolfazl Sepahi e Amir Hossein Safari foram enforcados em praça pública na cidade de Malekshahr, localizada na província de Isfahan.

A informação foi divulgada pelo portal oficial do Judiciário, Mizan Online. De acordo com a agência estatal Mehr, a execução ocorreu na presença de moradores.

Segundo as autoridades iranianas, os dois homens participaram de um ataque contra policiais durante as manifestações do dia 8 de janeiro.

A acusação afirma que agentes de segurança foram agredidos com facões, amarrados a placas de trânsito, tiveram gasolina espalhada sobre o corpo e, em seguida, foram incendiados.

Além disso, os condenados responderam pelos crimes de “moharebeh” — expressão utilizada pela legislação iraniana para definir quem trava uma “guerra contra Deus” — e de “corrupção na Terra”, tipificação aplicada em casos considerados de grave ameaça à ordem pública e à segurança nacional.

As manifestações começaram no fim de dezembro, impulsionadas pelo aumento do custo de vida, e evoluíram para protestos de caráter antigovernamental, atingindo maior intensidade nos dias 8 e 9 de janeiro.

O governo iraniano atribuiu a violência registrada durante os atos a supostos grupos terroristas apoiados pelos Estados Unidos e por Israel. Já organizações internacionais de direitos humanos contestam essa versão e acusam as forças de segurança iranianas de usar força letal contra manifestantes.

Segundo a organização Anistia Internacional, o Irã permanece entre os países que mais aplicam a pena de morte no mundo, ficando atrás apenas da China em número de execuções registradas.

Entidades de direitos humanos criticam há anos o uso frequente da pena capital no país, especialmente em processos relacionados a crimes políticos, segurança nacional e participação em manifestações.

 

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