
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro informou que está preparando uma nova licitação para o abastecimento da frota da corporação, enquanto permanece em vigor o contrato de R$ 168,8 milhões firmado com a Rede Sol Fuel Distribuidora, empresa investigada por supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O acordo foi assinado em março de 2025 e prevê o fornecimento de quase 37 milhões de litros de combustíveis, entre gasolina e diesel S10, para abastecer aproximadamente 5 mil veículos da corporação até abril de 2027. O contrato também permite prorrogações que podem estender sua vigência por até dez anos.
A distribuidora foi alvo da Operação Carbono Oculto, conduzida por autoridades que investigam um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao mercado de combustíveis e à estrutura financeira da organização criminosa. Segundo o Ministério Público de São Paulo, empresas ligadas à Rede Sol tiveram títulos comerciais adquiridos por um fundo de investimento investigado por movimentações financeiras suspeitas.
Questionada sobre a permanência do contrato, a Polícia Militar afirmou que a contratação ocorreu por meio de pregão eletrônico, respeitando todos os requisitos legais. De acordo com a corporação, na época da assinatura não havia impedimentos jurídicos que inviabilizassem a participação da empresa no processo licitatório.
A PM informou ainda que mantém fiscalização permanente sobre a execução do contrato e que poderá aplicar sanções administrativas caso sejam identificadas irregularidades durante o fornecimento. Paralelamente, um novo processo licitatório já está em andamento para assegurar a continuidade do abastecimento das viaturas.
O contrato prevê a entrega de cerca de 32 milhões de litros de gasolina, avaliados em aproximadamente R$ 147,8 milhões, além de mais de 4 milhões de litros de diesel S10, estimados em R$ 20,9 milhões. Os combustíveis abastecem os postos internos distribuídos pelos batalhões da corporação em todo o estado.
A empresa também esteve envolvida em outra investigação em 2025, quando um caminhão da distribuidora foi flagrado transportando gasolina com teor de etanol acima do permitido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Na ocasião, a irregularidade foi confirmada por perícia da Polícia Civil, resultando em multa superior a R$ 1 milhão e na proibição temporária de participação da empresa em licitações no município de Três Rios.
Além da Polícia Militar, a Rede Sol chegou a integrar uma licitação para abastecimento da frota de ônibus da Mobi-Rio. No entanto, a Prefeitura do Rio suspendeu sua contratação após o avanço das investigações da Operação Carbono Oculto.
O ex-secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, responsável pela assinatura do contrato, afirmou que a licitação seguiu todos os trâmites legais e que a empresa apresentou a documentação exigida. Segundo ele, as investigações vieram a público somente após a formalização do acordo e, por isso, não poderiam impedir a contratação naquele momento.
Até a publicação desta reportagem, a Rede Sol Fuel Distribuidora não havia se manifestado sobre o caso.

