
Uma operação da Polícia Civil no Morro Santa Marta, em Botafogo, Zona Sul do Rio, provocou um intenso tiroteio na madrugada desta terça-feira (23). A ação faz parte de mais uma fase da Operação Contenção, que tem como objetivo combater a expansão do Comando Vermelho (CV) e enfraquecer a estrutura financeira da facção criminosa.
Segundo a Polícia Civil, equipes saíram às ruas para cumprir 44 mandados de prisão e 98 de busca e apreensão. Oito dos alvos já estavam presos. Até a atualização mais recente, quatro pessoas haviam sido presas.
Os disparos começaram por volta das 4h, logo após a chegada dos agentes ao morro. Moradores relataram rajadas de tiros e explosões, enquanto dezenas de viaturas e pelo menos dois helicópteros deram apoio à operação.
Durante o confronto, um passageiro de um ônibus da linha 410 (Saens Peña–Gávea) foi atingido por uma bala perdida na perna direita quando o coletivo passava pela Rua São Clemente. Passageiros improvisaram um torniquete até a chegada do socorro. O homem não teve a identidade divulgada, e seu estado de saúde ainda não foi informado.
A operação também afetou moradores e turistas. Um grupo de pessoas que acompanhava o nascer do sol no Mirante Dona Marta ficou impedido de deixar o local por causa do tiroteio. Além disso, imóveis da região foram atingidos por disparos, entre eles a Igreja Metodista e um prédio residencial.
As investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) tiveram início em 2024 e identificaram 44 integrantes da organização criminosa, incluindo gerentes, seguranças armados, vendedores de drogas e responsáveis pela vigilância dos acessos à comunidade. Segundo a polícia, o grupo seria comandado por Ronaldo Pinto Lima e Silva, conhecido como Ronaldinho Tabajara ou R9, que continua exercendo influência sobre a facção mesmo preso em um presídio federal em Mossoró (RN). Francisco Rafael Dias da Silva, o Mexicano, é apontado como seu principal aliado na comunidade.
De acordo com o Governo do Estado, a Operação Contenção busca desarticular a logística, o financiamento e o domínio territorial da facção. Nas fases anteriores da ofensiva, mais de 360 criminosos foram presos, 137 morreram em confrontos e cerca de 480 armas, entre elas 190 fuzis, foram apreendidas, além de mais de 51 mil munições.



