Panorama

Operação na Maré mira rede de roubos e tráfico de armas; grupo ligado ao CV usava internet e empresas de fachada

Presos e materiais apreendidos foram encaminhados para Cidade da Polícia.
Reginaldo Pimenta/Agência O DIA

Uma nova fase da Operação Torniquete foi deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (5) no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, com foco no combate a uma organização criminosa ligada ao tráfico e especializada em roubos de cargas e veículos. A ação também investiga o fornecimento ilegal de armamentos ao Comando Vermelho. Até o momento, nove pessoas foram presas.

A ofensiva ocorre principalmente na comunidade da Nova Holanda e em Bonsucesso. Ao todo, os agentes cumprem 38 mandados de prisão e 28 de busca e apreensão, com atuação da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), além do apoio do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

Moradores relataram intenso tiroteio nas primeiras horas do dia, reflexo da entrada das equipes nas áreas investigadas. Segundo a polícia, o grupo alvo da operação possui uma estrutura organizada e atuava na compra, ocultação e distribuição de materiais ilícitos, incluindo armas, munições e acessórios.

As investigações apontam que os criminosos utilizavam documentos falsificados, empresas de fachada e até plataformas digitais clandestinas para adquirir armamentos. Parte desse material era comprada pela internet, inclusive em lojas e estandes de tiro localizados em cidades como Itaboraí, Rio Bonito, Guapimirim e no bairro de Bento Ribeiro.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Luís Otávio Franco, o armamento adquirido era utilizado tanto para abastecer o tráfico de drogas quanto para a prática de roubos de cargas e veículos — crimes que, segundo ele, ajudam a financiar as atividades das facções.

Entre os alvos, está um suspeito considerado peça-chave nas negociações ilegais. Ainda não identificado publicamente, ele seria responsável por importar peças de armas, inclusive do exterior, utilizando terceiros para receber encomendas com identidades falsas. A polícia também aponta o uso de empresas fictícias para facilitar as transações.

As investigações começaram em 2024, após a apreensão de 40 carregadores de fuzil AK-47 que seriam destinados à região de Bonsucesso. Desde então, os agentes passaram a monitorar a cadeia de fornecimento de armas e a atuação do grupo.

Durante a operação desta terça, foram apreendidos veículos, motocicletas e uma quantia significativa em dinheiro, que ainda será contabilizada. Um macaco-prego também foi encontrado em situação irregular com um dos presos.

A ação teve reflexos diretos na rotina da região. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 41 escolas foram impactadas e tiveram alterações no funcionamento. Na área da saúde, uma unidade de atenção primária suspendeu temporariamente o atendimento, enquanto outra manteve os serviços internos, mas interrompeu atividades externas, como visitas domiciliares.

A Operação Torniquete integra uma estratégia contínua de combate a crimes que sustentam financeiramente organizações criminosas. Desde o início das ações, em setembro de 2024, mais de 900 suspeitos já foram presos, além da recuperação de cargas e veículos avaliados em mais de R$ 52 milhões. Os bloqueios de bens e valores ligados aos investigados já ultrapassam R$ 70 milhões.

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