Panorama

Em meio a impasse juidicial, John Textor diz que disputa pelo controle do Botafogo “está acabada”

Empresário americano mantém 90% da SAF enquanto Eagle Holding tenta barrar decisões na Justiça; clube admite “fracasso” na temporada de 2025

Foto: Vítor Silva/Botafogo

Apesar das declarações de John Textor de que o embate pelo controle da SAF do Botafogo “está acabada”, a disputa segue nos bastidores e na Justiça. Reuniões, ações judiciais e divergências sobre a gestão da empresa que controla o clube alimentam a crise entre o empresário norte-americano e a Eagle Holding Football.

Recentemente, João Paulo Magalhães Lins, presidente associativo do Botafogo, reuniu-se com dirigentes da Eagle Holding Football, empresa fundada por John Textor. A aproximação demonstra mudança na postura do clube social, dono de 10% das ações da SAF, que até então mantinha apoio ao empresário norte-americano.

No dia 29 de setembro, o Conselho Deliberativo do Botafogo teve reunião suspensa após representante da SAF não responder questionamentos. Durcesio Mello, presidente à época da assinatura da SAF e aliado de Textor, não compareceu, e a reunião foi remarcada para o dia 14 de outubro.

Em entrevista, John Textor tratou como “rumores” a aproximação de João Paulo com a Eagle:

“Não gosto de comentar rumores, mas esse reverberou muito, então, eu vou falar. Essa notícia é baseada em nada. Não tem como ter uma reunião da Eagle sem eu estar envolvido. Vou explicar como tudo funciona. Sou o sócio majoritário da Eagle Football Holdings, essa empresa é dona de uma sub-empresa chamada Eagle Football Holdings MIDCO, eu sou o único diretor dela. E ela é a sócia da Eagle BIDCO, que é ligada aos clubes. A diretoria (da BIDCO) tem eu, Mark Affolter, da Ares, e Chris Mallon. Haverá mudanças nesse grupo em breve, mas eu continuarei no grupo.”

O empresário também ressaltou a autonomia da holding:

“João Paulo comanda o clube social, eles têm várias opiniões. Eles têm 10% do Botafogo, estão sempre convidados para colaborar quando quiserem, mas a Eagle Football tem 90%. Não somos o Vasco, isso não é a 777. Temos bons acionistas e a governança do clube está boa, não precisa de mudanças.”

Após conquistar a Libertadores e o Brasileirão em 2024, o Botafogo teve um 2025 decepcionante. Reformulações no elenco e apostas frustradas em treinadores marcaram a temporada. O próprio Textor admitiu o insucesso:

“Começamos o ano muito mal. Tínhamos um treinador (Renato Paiva) que trouxe um sistema em que eu acreditava, mas acho que ele abandonou o sistema dele. Sofremos. […] Eu disse que seria um fracasso se não ganhássemos outro troféu. Então, foi um fracasso.”

Desde 2022, quando a Eagle Holding adquiriu 90% das ações da SAF, o Botafogo passou a integrar a “Família Eagle”, junto de Crystal Palace, Molenbeek e Lyon. A proposta era de cooperação entre os clubes, com intercâmbio de jogadores e finanças.

Contudo, a crise no Lyon — rebaixado em 2025 e sob intervenção financeira do DNCG — provocou o afastamento de Textor do comando do clube francês. O empresário transferiu a SAF do Botafogo para uma nova empresa nas Ilhas Cayman, o que gerou reação da Eagle Holding. A nova gestão classificou o movimento como “ilegal” e levou o caso à Justiça.

Em 31 de julho, a Justiça do Rio “congelou as ações da Eagle na SAF”, mantendo Textor no controle. Já a Eagle moveu processo para limitar os poderes do empresário e suspender decisões tomadas em julho.

Mesmo assim, Textor reafirmou confiança na gestão e negou que o Botafogo dependa financeiramente da Europa:

“Botafogo financia a Europa, e não o contrário. […] Não há problema financeiro. Estamos financiando a Europa. Quero separar o Botafogo da parte europeia (Lyon), mas isso é com a diretoria da Eagle.”

O Botafogo confirmou, em nota, o fim do “caixa único” com os clubes da Eagle e cobra do Lyon o reembolso de cerca de R$ 410 milhões referentes a empréstimos feitos para sanar dívidas do clube francês — valor contestado pela direção do Lyon.

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