Presidente americano admite escassez do produto em diálogo com Lula; alta atinge maior nível anual desde 1997

O café brasileiro mais caro chamou atenção na conversa desta segunda-feira (6/10) entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O governo americano reconheceu que a tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras agravou a escassez e impulsionou a inflação da bebida nos Estados Unidos.
Segundo apuração, Trump admitiu que os Estados Unidos estão “sentindo falta” de produtos brasileiros afetados pela tarifa, citando especificamente o café. A medida impacta diretamente o mercado americano, já que o Brasil é o maior fornecedor da bebida no país.
Dados do Escritório Americano de Estatísticas indicam que, em agosto, primeiro mês de vigência da tarifa, o preço do café subiu 3,6% — a maior alta mensal em 14 anos —, nove vezes acima da inflação média do período (0,4%). Na comparação anual, o aumento acumulado chega a 20,9%, também muito acima da inflação média de 2,9%, o que representa o maior aumento anual desde 1997.
Reportagens de canais americanos, como Fox Business e CNN, apontam que a alta do café nos EUA é resultado de dois fatores: interrupções na produção causadas pelo clima nos principais países fornecedores e a tarifa de 50% imposta pelo governo Trump sobre o Brasil. O café colombiano, outro grande fornecedor, também foi tarifado, mas em nível menor, de 10%.
Os Estados Unidos são o maior importador e consumidor mundial de café. Dois terços dos adultos americanos consomem a bebida diariamente, em média três xícaras por pessoa, totalizando cerca de 450 milhões de xícaras por dia. Desde 2020, o consumo total de café cresceu 7%, enquanto o consumo de café gourmet subiu 18%.
Apesar de algumas regiões do país, como Havaí, Porto Rico e sul da Califórnia, cultivarem a planta, a produção doméstica é insuficiente para suprir a demanda. O café, sendo uma fruta tropical, cresce apenas em uma estreita faixa ao redor do Equador, o que torna os fornecedores brasileiros estratégicos para abastecer o mercado americano.
Por Gabriel Caetano


