Panorama

Polícia Civil indicia cúpula do Comando Vermelho por onda de roubos para espalhar terror no RJ

Segundo as investigações, cerca de 800 veículos foram roubados em quatro dias como retaliação a ações contra a “caixinha” da facção

Edgar Alves de Andrade, o Doca, é um dos que foi indiciado
Foto: Reprodução

Oito integrantes da cúpula do Comando Vermelho (CV) foram indiciados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro por envolvimento em uma onda de roubos de veículos registrada entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro de 2025, período em que cerca de 800 crimes do tipo foram contabilizados em diferentes regiões do estado.

De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-Cap), os crimes não tiveram como objetivo principal a obtenção de lucro, mas sim a disseminação do medo e do pânico entre a população. A Polícia Civil aponta que a ofensiva criminosa foi uma resposta direta a ações das forças de segurança que atingiram a chamada “caixinha” do CV.

Segundo o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, essa estrutura funciona como uma espécie de fundo financeiro da facção, utilizado para custear despesas de familiares de lideranças e servir como uma “previdência” para parentes de criminosos presos.

“Essa (a “caixinha”) é uma espécie de poupança da facção, que serve para financiar os luxos dos parentes das lideranças e também uma espécie de previdência privada para os parentes dos presos faccionados. Isso causou uma revolta na facção e acabou resultando nessa onda de roubos e de terror praticados pelo Comando Vermelho”, afirmou o secretário.

A análise de dados e o cruzamento de informações de inteligência indicaram que as ordens para os roubos partiram diretamente da cúpula da facção, localizada em áreas estratégicas como os complexos da Penha e do Chapadão, na Zona Norte do Rio, além do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana.

O mapeamento realizado pela polícia revelou ainda que grande parte dos veículos roubados foi abandonada pouco tempo depois e recuperada em regiões sob domínio do CV. Para os investigadores, esse padrão reforça a tese de que os crimes funcionaram como uma ação coordenada de intimidação e propaganda criminosa.

Os indiciamentos fazem parte da segunda fase da Operação Torniquete, que tem como foco o combate aos crimes de roubo, furto e receptação de cargas e veículos — práticas que, segundo a Polícia Civil, financiam as atividades das facções criminosas. Desde setembro de 2024, a operação já resultou em mais de 740 prisões e no bloqueio de cerca de R$ 70 milhões em bens e valores.

Indiciados:

Edgard Alves de Andrade, o Doca — chefe do CV no Complexo da Penha;

Carlos da Costa Neves, o Gardenal — braço direito de Doca e responsável direto pelos roubos na Penha;

Luiz Fernando Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau — chefe do CV no Complexo do Chapadão;

Alexsandro Miranda da Silva, o Dando — braço direito de Nando Bacalhau e responsável direto pelos roubos no Chapadão;

Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó — chefe do CV no Complexo do Salgueiro;

Hilário Gabriel dos Santos Rangel, o Biel do Feijão — chefe do CV na comunidade do Feijão, em São Gonçalo;

Jonatha Hyrval Cassiano da Silva, o Bochecha Rosa — chefe do CV na comunidade Corte 8, em Duque de Caxias;

Joab da Conceição Silva, o Joab — chefe do CV na comunidade Rua Sete, também em Duque de Caxias.

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