
O futebol feminino brasileiro encerrou a temporada 2025 com alto nível técnico, fortalecimento das competições nacionais e clubes cada vez mais consolidados. O Corinthians seguiu como principal força do país, mas viu a hegemonia ser pressionada ao longo do ano, especialmente pelo Cruzeiro, que protagonizou uma das campanhas mais consistentes da temporada.
O Timão conquistou, em setembro, o heptacampeonato do Campeonato Brasileiro Feminino Série A1 ao superar justamente o Cruzeiro na decisão. Foi o sexto título consecutivo das Brabas, que se isolaram ainda mais como maiores campeãs da competição desde a retomada do torneio pela CBF, em 2013. Mais da metade dos títulos do Brasileirão Feminino pertence ao clube do Parque São Jorge. Além do Corinthians, também já foram campeões Centro Olímpico, Ferroviária, Rio Preto, Flamengo e Santos.
No cenário continental, a equipe alvinegra manteve a soberania ao conquistar mais um título da Copa Libertadores Feminina. Com o troféu de 2025, o Corinthians chegou ao sexto título no torneio (2017, 2019, 2021, 2023, 2024 e 2025), ampliando a vantagem como maior vencedor da história da competição, criada em 2009.
O estado de São Paulo seguiu como principal polo do futebol feminino no país. Corinthians, São Paulo e Palmeiras chegaram às semifinais do Brasileirão. Ainda assim, 2025 foi marcado pela ascensão de Minas Gerais, com o Cruzeiro despontando como principal rival das Brabas. Comandadas pelo técnico Jonas Urias, as Cabulosas encerraram a primeira fase da competição na liderança, quebrando a sequência de domínio corintiano nesta etapa do campeonato.
Na decisão do Brasileiro, o Cruzeiro empatou em 2 a 2 no jogo de ida, mas acabou derrotado por 1 a 0 na partida de volta, disputada na Neo Química Arena. Apesar do vice-campeonato, a campanha consistente tornou a equipe mineira uma das mais temidas da temporada, além de destacar a forte presença da torcida cruzeirense, especialmente nos jogos como mandante.
A rivalidade entre Cabulosas e Brabas também marcou a Copa do Brasil Feminina, que voltou ao calendário após oito anos. O Cruzeiro foi eliminado pelo Corinthians ainda na terceira fase. Nas quartas de final, o Timão acabou superado pelo São Paulo. A competição seguiu com Bahia, Palmeiras e Ferroviária entre os semifinalistas.
A final foi disputada em Araraquara (SP), entre Palmeiras e Ferroviária, e terminou com título inédito das Palestrinas, que venceram por 4 a 2. Um dos grandes destaques do torneio e da temporada palmeirense foi a atacante Amanda Gutierres, artilheira do clube em 2025, com 24 gols.
A atacante também teve papel decisivo na conquista do tetracampeonato do Palmeiras no Campeonato Paulista. Ela marcou na goleada por 5 a 1 sobre o Corinthians no jogo de ida da final, resultado que garantiu o título estadual. Após a temporada, Amanda Gutierres se despediu do clube e acertou transferência para o Boston Legacy, dos Estados Unidos.
Ainda no Palmeiras, 2025 foi marcado por mudanças no comando técnico. Camilla Orlando deixou o clube para assumir a seleção brasileira Sub-20, e Rosana Augusto, ex-jogadora do Verdão, foi anunciada como nova treinadora em outubro. Em poucos meses de trabalho, Rosana encerrou o ano com dois títulos no currículo.
A TV Brasil transmitiu partidas do Brasileirão Série A1 e também as fases decisivas das Séries A2 e A3. Na segunda divisão, o Santos conquistou o título ao vencer o Botafogo por 2 a 1 no placar agregado. Com isso, Santos, Botafogo, Fortaleza e Atlético-MG garantiram acesso à elite em 2026. A próxima edição do Brasileirão Feminino contará com 18 equipes, duas a mais que em 2025.
Na Série A3, o Atlético-PI fez história ao conquistar o primeiro título nacional do futebol feminino do Piauí. A equipe venceu o Vila Nova-ES por 4 a 0 no jogo de volta, no Estádio Albertão, em Teresina, após derrota por 2 a 1 na partida de ida.
Seleção brasileira
Após a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, a seleção brasileira feminina manteve a trajetória de crescimento sob o comando do técnico Arthur Elias. Em 2025, o Brasil conquistou o nono título da Copa América Feminina ao superar a Colômbia nos pênaltis, em final disputada em Quito, no Equador.
A equipe também teve desempenho expressivo em amistosos internacionais. Em solo norte-americano, o Brasil conquistou vitória inédita sobre os Estados Unidos, líderes do ranking mundial. Ao longo do ano, a seleção venceu Inglaterra, Itália e Portugal, encerrando a temporada com nove amistosos, seis vitórias e três derrotas.
No Mundial Sub-17 Feminino, realizado no Marrocos, a seleção brasileira alcançou um resultado histórico ao terminar na quarta colocação, a melhor campanha do país na competição. A equipe foi superada pelo México na disputa pelo terceiro lugar, após empate no tempo regulamentar e derrota nos pênaltis.
Já a seleção Sub-20 passou por mudança de comando em junho, com a chegada de Camilla Orlando. A estreia ocorreu em novembro, em amistosos contra Argentina e Paraguai. A equipe tem como principal objetivo em 2026 a disputa do Campeonato Sul-Americano da categoria.


