Panorama

Agentes de segurança viária de Nilópolis são os primeiros da Baixada autorizados a utilizar armamento não letal

Foto: Divulgação

Nilópolis passou a contar com os primeiros agentes de trânsito da Baixada Fluminense autorizados a utilizar armamento não letal, como pistolas elétricas do tipo Spark. Ao todo, 36 servidores participaram de um curso de capacitação ministrado pelo especialista Fábio André do Nascimento, guarda municipal do Rio de Janeiro há 25 anos e credenciado pela Polícia Federal (PF).

A medida ocorre em meio ao debate sobre a segurança pública no país. Embora a Constituição estabeleça que a responsabilidade principal seja dos governadores, que administram as polícias Militar e Civil, a atuação integrada entre União, estados e municípios tem se tornado essencial diante do crescimento da violência e da sensação de insegurança em diferentes regiões.

Na gestão do prefeito Abraãozinho, Nilópolis segue as diretrizes da Lei Federal nº 13.060, de 2014, que regulamenta o uso de instrumentos de menor potencial ofensivo por agentes de segurança pública em todo o território nacional. Atualmente, os 131 guardas municipais da cidade já utilizam pistolas elétricas desde outubro do ano passado.

Enquanto os agentes de trânsito atuam diretamente na segurança viária, os guardas municipais são responsáveis pelo monitoramento e fiscalização de prédios públicos e vias urbanas. O uso do armamento não letal é indicado para situações em que motoristas, motociclistas ou transeuntes apresentem comportamento agressivo ou violento contra os servidores, mesmo após advertências.

Moradora do bairro Cabral, a diarista Maria José Silva, de 55 anos, sai de casa diariamente às 5h para pegar o trem em direção à Central do Brasil e aprova a iniciativa. “Acho ótimo agente de trânsito e guarda municipal agora ter maquininha que dá choque. De vez em quando cruzo com pessoas reclamando de assaltos cometidos por motociclistas e motoristas. Espero que isso diminua a ousadia deles”, afirmou.

Já o estudante de engenharia da Uerj, Wallace Campos, de 24 anos, também avalia positivamente a medida, mas pondera que o problema da segurança pública vai além do uso de equipamentos. “Na minha opinião, o problema é estrutural. Precisa investir em educação para que essa garotada tenha opções e não seja atraída pela bandidagem”, disse o morador do Centro.

Em Nilópolis, a adoção desses instrumentos fortalece a atuação da Guarda Municipal em situações cotidianas, como controle de tumultos, condução de indivíduos agressivos, apoio a operações conjuntas e proteção do patrimônio público. O objetivo é garantir respostas mais eficientes e seguras, oferecendo alternativas adequadas para ocorrências que não justificam o uso de armas de fogo.

Além disso, o uso de armamento não letal contribui para ampliar a confiança da população na atuação da Guarda Municipal, reforçando o compromisso institucional com práticas responsáveis, técnicas e alinhadas aos direitos humanos. A iniciativa coloca Nilópolis em sintonia com modelos modernos de policiamento, que priorizam a prevenção, o diálogo e a proporcionalidade no uso da força.

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