Panorama

Vereador de São João de Meriti é preso por suspeita de ajudar o TCP a erguer barricadas na Baixada

Operação Muro de Favores mira rede criminosa ligada ao Terceiro Comando Puro; investigação aponta troca de favores, uso de maquinário e apoio político.

Foto: Reginaldo Pimenta/Agência O DIA

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta terça-feira (25) o vereador Ernane Aleixo (PL), de São João de Meriti, durante a Operação Muro de Favores. Ele é suspeito de oferecer suporte logístico ao Terceiro Comando Puro (TCP) em troca de benefícios financeiros e eleitorais. Outras quatro pessoas foram detidas.

A operação, deflagrada pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), cumpriu o mandado de prisão de Ernane Aleixo (PL) logo no início da manhã, após agentes arrombarem o portão de sua residência em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Segundo as investigações, o vereador, terceiro mais votado nas eleições do ano passado, dava suporte logístico e operacional ao Terceiro Comando Puro (TCP), segunda maior facção do estado.

De acordo com a Polícia Civil, áudios e mensagens obtidos pelos investigadores indicam que Ernane teria fornecido maquinário e estrutura para a construção de barricadas em Vilar dos Teles. As barreiras, segundo a investigação, dificultavam o acesso de forças de segurança e de serviços públicos às comunidades dominadas pelo grupo criminoso.

O delegado Vinícius Miranda afirmou ter identificado “uma clara troca de favores”. Segundo ele, houve “o uso aparente de um bem público contra o povo, para erguer barricadas”, o que agravaria a atuação do parlamentar. Na casa do vereador, os agentes apreenderam dinheiro em espécie.

Mandados e alvos da operação

Ao todo, a Polícia Civil saiu para cumprir 8 mandados de prisão e 36 de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Criminal de Meriti. A Operação Muro de Favores integra a estratégia Barricada Zero, do governo do estado, voltada à remoção de bloqueios instalados por facções criminosas e à retomada territorial.

Segundo as investigações, o TCP mantinha uma rede de “favores” envolvendo políticos locais para fortalecer o domínio sobre áreas da Baixada Fluminense, como as comunidades Trio de Ouro (Meriti), Guacha e Santa Tereza (Belford Roxo). Há indícios de que Ernane também negociava vagas de emprego em um hospital da região em troca de apoio político.

O núcleo investigado seria chefiado por Marlon Henrique da Silva, o Pagodeiro, preso no ano passado e apontado como braço direito de Geonário Fernandes Pereira Moreno, o Genaro, liderança do TCP na região. Pagodeiro confessou ter matado três pessoas, incluindo uma mulher, durante confronto com uma facção rival há dois anos. Nesta terça, sua mulher, Luciana Adelia Theofilo, também foi presa.

Crimes e objetivos da operação

A operação busca desarticular a estrutura hierárquica e financeira do TCP, removendo barricadas e retomando o controle estatal nas comunidades da região. O núcleo investigado, segundo a Polícia Civil, atuava em crimes como tráfico de drogas, homicídios, extorsão de comerciantes e lavagem de dinheiro.

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