Plano de governo do partido de Eduardo Paes prevê levar a administração estadual para o antigo prédio da Central do Brasil, desocupado desde a saída da Seap

O PSD do prefeito Eduardo Paes pretende incluir em seu plano de governo para 2026 a transferência da sede da administração estadual para o Edifício D. Pedro II, antiga sede da Central do Brasil, no Centro do Rio. A proposta, além de simbolizar uma mudança de paradigma, busca revitalizar a região central e reduzir custos com aluguéis de órgãos públicos atualmente descentralizados.
De acordo com o partido, caso o PSD tenha candidato próprio ao governo estadual — seja Eduardo Paes ou outro nome —, o projeto fará parte do programa oficial. Caso o prefeito desista da disputa, qualquer candidato que queira o apoio do partido deverá firmar compromisso com a proposta.
A ideia é transformar o prédio da Central do Brasil na nova sede do governo estadual, com o gabinete do governador e as principais secretarias instaladas no local. Hoje, a administração funciona no Palácio Guanabara, em Laranjeiras. Segundo o PSD, a mudança traria impactos econômicos e sociais positivos: o Centro do Rio ganharia novo fluxo de servidores, maior segurança, movimentação comercial e valorização urbana.
Prédio histórico e quase vazio
O Edifício D. Pedro II é um ícone da arquitetura art déco carioca, inaugurado em 1943 e conhecido por sua torre de 134 metros e relógio de quatro faces, um dos marcos visuais da cidade. À época, foi considerado o prédio mais alto da América do Sul.
Entretanto, desde que a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) deixou o local, há dois meses, o edifício está praticamente vazio. A pasta havia ocupado o espaço por 20 anos e, desde 2019, era responsável pela manutenção, que custava cerca de R$ 5 milhões anuais.
Hoje, o prédio encontra-se sob responsabilidade da Casa Civil, por meio da Subsecretaria de Gestão Administrativa e Patrimonial, que cuida do imóvel “enquanto estiver desocupado e sem destinação definida”.
Restauração exigirá alto investimento
Estudos apontam que seria necessário um investimento de ao menos R$ 30 milhões para restaurar o edifício e adequá-lo às normas atuais de segurança. O retrofit dos elevadores foi orçado em R$ 3,3 milhões, a restauração das fachadas em R$ 3,9 milhões e a impermeabilização em R$ 3,4 milhões.
Além disso, para adequar o prédio ao novo Código de Segurança contra Incêndio e Pânico (Coscip), editado em 2022, o custo estimado é de R$ 20 milhões.
Simbolismo e impacto urbano
Para o PSD, a transferência do governo estadual para o Centro teria também valor simbólico: o poder executivo deixaria o Palácio Guanabara, símbolo da antiga nobreza imperial, e se instalaria no coração do transporte público fluminense, ao lado da Central do Brasil, ponto de passagem diária de milhares de trabalhadores.
O projeto é visto por aliados de Paes como um gesto político e urbano, alinhado à estratégia de revitalização do Centro do Rio. O entorno da estação, marcado por abandono e insegurança, poderia ganhar novo fôlego com a presença de secretarias e servidores, atraindo comércio, serviços e infraestrutura para a região.
Enquanto o futuro do edifício não é definido, o prédio segue como um “elefante branco” no meio da cidade — um patrimônio histórico de grande valor, mas sem destino certo.



