Ação da Polícia Militar visa combater roubos de veículos e ocorre em meio a guerra entre facções rivais; escolas e unidades de saúde foram afetadas

Uma operação policial no Complexo da Pedreira, na Zona Norte do Rio, causou tiroteio e impacto no funcionamento de escolas municipais na manhã desta segunda-feira (10). A ação, conduzida por equipes do 41º BPM (Irajá), tem como objetivo coibir roubos de veículos nas comunidades da região, marcada por confrontos frequentes entre facções criminosas.
Segundo a Polícia Militar, houve relatos de confronto por volta das 6h50, na área da Pavuna, mas até o momento não há registro de prisões, apreensões ou feridos.
Devido à insegurança, 16 escolas da rede municipal tiveram o funcionamento impactado, conforme informou a Secretaria Municipal de Educação (SME).
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) também comunicou que três unidades de Atenção Primária suspenderam totalmente as atividades “para garantir a segurança de profissionais e usuários”. A violência nas regiões da Pedreira e do Chapadão já havia provocado o fechamento temporário da UPA de Costa Barros no fim de setembro, após criminosos invadirem a unidade em busca de rivais. O posto só foi reaberto em 27 de outubro, após um novo confronto.
Apesar dos relatos de tiroteio nesta segunda, o Rio Ônibus informou que nenhuma linha foi afetada.
Atualmente, traficantes do Comando Vermelho (CV), que dominam o Complexo do Chapadão, disputam território com o Terceiro Comando Puro (TCP), que controla a Pedreira. Em 27 de outubro, dois idosos — Marli Macedo e Elison Nascimento, ambos de 60 anos, morreram após serem baleados durante um confronto entre criminosos.
Relembre o caso recente na região
Na madrugada de sexta-feira (7), Andrew Andrade do Amor Divino, de 29 anos, morreu ao ser baleado por um policial militar após não parar em uma abordagem na Avenida Chrisóstomo Pimentel, na Pavuna, próximo ao Complexo do Chapadão.
De acordo com familiares, Andrew voltava de uma comemoração com uma amiga e não ouviu a ordem de parada por estar com o som alto e os vidros do carro fechados. Ele foi atingido na nuca por um tiro de fuzil, socorrido, mas não resistiu.
Casado há oito anos e pai de dois filhos, um deles recém-nascido, Andrew não tinha antecedentes criminais e mantinha documentação regular do veículo. O corpo foi sepultado no domingo (9), no Cemitério de Ricardo de Albuquerque.
Contexto da violência
A região vive uma rotina de guerra territorial entre facções. Os confrontos têm provocado mortes de inocentes, paralisações de serviços públicos e constante medo entre os moradores.
As forças de segurança afirmam que operações seguirão ocorrendo para tentar conter a escalada de violência que há meses marca a vida cotidiana nos complexos da Pedreira e do Chapadão.



