Panorama

Apoio à megaoperação domina nas redes; direita vence disputa de narrativas, apontam levantamentos

Em cinco estados, 50,1% das publicações foram positivas e 39,2% negativas, segundo a Ativaweb; no Rio, apoio chega a 59,6%. Bites indica que direita liderou engajamento nas 100 postagens com mais interações.

Corpos recolhidos na mata foram deixados por moradores em uma praça na entrada da Vila Cruzeiro
Foto: Marcio Foletto

A megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio, que deixou ao menos 121 mortos, foi descrita positivamente em 50,1% das publicações nas redes sociais nos estados do RJ, SP, MG, DF e BA, segundo levantamento da Ativaweb. No recorte fluminense, o apoio sobe para 59,6%. Outro estudo, da Bites, mostra que a direita venceu a disputa de narrativas online, liderando as 100 postagens com mais interações.

De acordo com a Ativaweb, que analisou conteúdos no Facebook e Instagram (Meta), TikTok e YouTube, 39,2% das publicações tiveram viés negativo em relação à operação, com críticas à condução da ação e à escalada da violência, enquanto 10,7% foram neutras. No recorte específico do Rio de Janeiro, o apoio à operação alcançou 59,6%, com 13,4% de desaprovação e 27% de neutralidade.

O volume de menções ao tema disparou. Entre a manhã de 28/10 e a manhã de 30/10, as referências online saltaram de 873.144 para 5.308.412, o maior patamar do ano em pautas de segurança pública. A série diária mostra crescimento contínuo: 28/10 (tarde), 1.432.786; 29/10 (manhã), 3.098.345; 29/10 (tarde), 4.326.650; 30/10 (manhã), 5.308.412.

Um segundo levantamento, da consultoria Bites, identificou uma disputa de narrativas nas redes vencida pela direita. Entre as 100 mensagens com mais interações no Twitter, Facebook e Instagram, 40 partiram de perfis alinhados à direita, 32 de perfis de esquerda ou críticos da direita e 28 foram neutras. Somadas, geraram 50,1 milhões de interações.

Os políticos mais citados nos debates foram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador fluminense, Cláudio Castro (PL). Lula apareceu associado em 463 mil publicações, somando 5,42 milhões de interações, com tom majoritariamente crítico ao governo. Já Castro foi citado em 973 mil menções, que totalizaram 10,4 milhões de interações, impulsionadas por perfis de esquerda.

O PL predominou entre figuras políticas no engajamento: 66 deputados do partido publicaram 476 vezes sobre o tema, alcançando 6,6 milhões de interações. Entre os mais ativos estiveram o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), em defesa da ação policial e com críticas ao governo federal.

Como mostrou o GLOBO, a megaoperação também serviu para reorganizar o discurso da oposição após sinais de desalinhamento recentes. A reação coesa — ao mesmo tempo crítica ao governo Lula e de apoio ao governador Cláudio Castro — contrastou com o silêncio após o encontro entre Lula e Donald Trump e sucedeu a defensiva provocada pela repercussão negativa da PEC da Blindagem, apoiada pela bancada bolsonarista na Câmara e posteriormente barrada no Senado.

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