Ministério Público afirma que tragédia que matou dez jovens do Flamengo em 2019 foi resultado de negligência e não um acidente

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) anunciou, nesta quarta-feira (22), que irá recorrer da decisão judicial que absolveu sete réus no processo que apura as responsabilidades pelo incêndio no Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, em Vargem Grande, Zona Oeste do Rio. O incêndio, ocorrido em fevereiro de 2019, matou dez adolescentes das categorias de base e deixou três feridos.
Em maio deste ano, a Promotoria de Justiça havia solicitado a condenação dos acusados, sustentando que o incêndio poderia ter sido evitado e que foi o resultado direto da conduta negligente dos responsáveis. Segundo o MPRJ, os réus sabiam que o local funcionava de forma irregular, sem autorização oficial e sem o certificado do Corpo de Bombeiros, mesmo após multas e interdições.
O órgão destacou ainda que o alojamento apresentava problemas elétricos, falta de manutenção nos aparelhos de ar-condicionado e condições inadequadas de segurança, como janelas com grades, portas que travaram durante o incêndio, única saída distante do dormitório das vítimas, ausência de sistema de combate a incêndio e o uso de materiais altamente inflamáveis.
Apesar disso, o juiz Tiago Fernandes de Barros, da 36ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), considerou que não houve provas suficientes de que os acusados contribuíram diretamente para o incêndio. Na sentença, o magistrado afirmou que não é possível responsabilizar criminalmente alguém apenas por seu cargo, sem comprovação de ação ou omissão determinante.
Foram absolvidos:
- Antônio Márcio Mongelli Garotti, ex-diretor de Meios do Flamengo;
- Marcelo Maia de Sá, ex-diretor adjunto de Patrimônio (Obras);
- Edson Colman da Silva, sócio da empresa responsável pela manutenção dos ar-condicionados;
- Fábio Hilário da Silva, engenheiro elétrico da NHJ (empresa que forneceu os contêineres);
- Cláudia Pereira Rodrigues, diretora administrativa e comercial da NHJ;
- Weslley Gimenes, engenheiro civil da NHJ;
- Danilo da Silva Duarte, engenheiro de produção da NHJ.
Outros denunciados já haviam sido retirados do processo em fases anteriores. Em fevereiro, a punibilidade de Eduardo Bandeira de Mello, então presidente do clube, foi extinta por prescrição. Também haviam sido excluídos o ex-diretor de base Carlos Noval, o engenheiro Luiz Felipe Pondés e o monitor Marcus Vinicius Medeiros, por falta de provas.
O incêndio no Centro de Treinamento Presidente George Helal aconteceu na madrugada de 8 de fevereiro de 2019. No total, 26 jovens atletas estavam no alojamento — dez morreram e dezesseis conseguiram sobreviver.



