Eduardo Filipe Santiago Ferreira, de 42 anos, foi baleado por um sargento da corporação durante confraternização na Zona Sudoeste do Rio; suspeito está preso sob custódia e será expulso da PM

Familiares e amigos se despediram nesta segunda-feira (20) do policial militar Eduardo Filipe Santiago Ferreira, de 42 anos, morto a tiros por um colega de farda na noite de sábado (18), em Vila Valqueire, Zona Sudoeste do Rio. O corpo foi sepultado no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste. O suspeito, um sargento da corporação, está internado sob custódia e responderá a processo administrativo.
Durante a despedida, diversos membros do moto clube Casacos de Couro, do qual Santiago fazia parte, compareceram usando coletes e prestaram as últimas homenagens. Nas redes sociais, motociclistas e amigos lamentaram a morte e manifestaram solidariedade aos familiares.
De acordo com amigos que participaram do velório, Santiago era próximo do sargento William Amaral da Conceição, de 36 anos — autor dos disparos —, que já havia participado de encontros do grupo. A relação entre os dois, segundo relatos, era de amizade.
A ex-esposa de Santiago, com quem ele teve um filho de 15 anos, afirmou que os dois policiais costumavam frequentar as casas um do outro e que William havia sido padrinho do atual casamento do militar.
“Agora, meu filho está sem pai. Eles estavam bebendo no bar, estavam bem, e do nada aconteceu. Ninguém sabe dizer o motivo, porque eles eram amigos”, lamentou a mulher, bastante abalada.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento do crime, ocorrido na Avenida Jambeiro, em Vila Valqueire. Nas imagens, Santiago tenta impedir os disparos do sargento:
“Amaral, Amaral, tá maluco? Sou eu, Santiago, mano!”, grita o policial.
O agressor responde:
“Eu vou te matar.”
Em seguida, William atira. Santiago tenta revidar, mas é atingido e morre no local. Ele era lotado no 18º BPM (Jacarepaguá).
O sargento, que serve no 40º BPM (Campo Grande), também foi baleado e levado ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo. Posteriormente, foi transferido para o Hospital Central da Polícia Militar, no Estácio, onde permanece internado sob custódia. Após receber alta, será encaminhado à Unidade Prisional da PM, em Niterói.
Segundo a corporação, William foi preso em flagrante pela Polícia Civil e responderá a um processo administrativo que pode resultar em expulsão dos quadros da PM.
Em nota, a Polícia Militar informou que:
“A Corregedoria segue acompanhando e colaborando com as investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE). O comando da corporação reitera que não compactua com desvios de conduta ou crimes cometidos por seus integrantes e atua com rigor na apuração e punição dos envolvidos, sempre que os fatos forem constatados.”
A Draco-IE investiga as circunstâncias do crime e tenta esclarecer o que motivou o desentendimento entre os dois militares.



