Presidente deu entrevista ao UOL e foi ríspido com a Liga do Futebol Brasileiro (Libra)

O presidente do Flamengo, em entrevista concedida ao UOL na manhã desta quarta-feira (15), falou sobre o desentendimento do clube com a Liga do Futebol Brasileiro (Libra), grupo comercial composto por nove clubes da Série A do Brasileirão, e esclareceu os principais pontos de desacordo entre o clube e a Instituição, que estão em litígio judicial por conta da divisão dos valores de direitos de transmissão.
Como contexto, a Libra, em março de 2024, vendeu os direitos de transmissão de todos seus clubes da Série A entre 2025 e 2029, assinando um acordo com a Rede Globo no valor de R$ 1,3 bilhão por ano, totalizando R$ 6,5 bilhões no contrato completo. Este valor, no entanto, contemplava o Corinthians, que migrou para outro grupo, a Liga Forte União (LFU). A partir disto, o contrato sofreu um corte de 10%, indo para R$ 1,170 bilhão por ano e R$ 5,85 bilhões durante os cinco anos de acordo.
Posto isto, o litígio judicial veio após uma diferença entre o entendimento do Flamengo e do grupo comercial sobre a repartição dos valores de acordo com critérios. O Rubro-Negro discorda da repartição no critério de audiência e alega que o contrato que não define de maneira clara a divisão.
Fala de BAP
O presidente do Flamengo afirmou que o clube buscou um acordo sobre os critérios de audiência antes do ingresso na Justiça, mas que vem sendo excluído pela Libra. Vale ressaltar que através da Justiça o Rubro-Negro conseguiu uma liminar para bloquear parte dos valores que foram pagos pela Globo (R$ 77 milhões) até que haja uma definição sobre a divisão das receitas de pay-per-view.
“Nós tentamos isso durante oito meses. Eu acredito que eles só foram prestar atenção no pleito do Flamengo depois que a gente entrou na Justiça. Por que algumas coisas estão muito claras lá, que são favoráveis ao Flamengo, está preto no branco, a unanimidade, a mudança do critério, a falta de definição de qual era o mix que você colocaria numa fórmula eventual de audiência, estava muito claro, bastava ler o contrato. Então me surpreende muito a posição sectária e excludente que eles tiveram em relação ao Flamengo”, afirmou Bap.
Em outro momento, Bap cita o protagonismo do Palmeiras na oposição ao Flamengo dentro do grupo, afirma que a Libra é palmeirense e traz uma revelação que sugere um conflito de interesses.
“O advogado do Palmeiras, ele trabalha pro Palmeiras, a família dele trabalha pro Palmeiras há muito tempo, o escritório que entrou com o agravo lá da Libra contra o Flamengo é o escritório do Sica. Isso é um conflito evidente. Se eu pudesse voltar atrás no tempo, eu jamais teria concordado com a construção de uma Libra. A Libra é verde. A Libra é toda verde. A Libra é palmeirense. O Sica é advogado do Palmeiras. Virou advogado de outros clubes. Tá certo? Ele é advogado. Ele advoga para outros clubes que estão na Libra”.
Por Gabriel Caetano



