Khalil Al-Hayya afirmou ter recebido garantias de um cessar-fogo permanente; plano proposto por Trump prevê libertação de reféns, retirada de tropas e governo de transição em Gaza
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O membro da alta cúpula do Hamas, Khalil Al-Hayya, declarou nesta quinta-feira (9) o fim da guerra com Israel, após afirmar ter recebido garantias de cessar-fogo permanente dos Estados Unidos e de mediadores árabes. O anúncio ocorre um dia depois de o presidente americano Donald Trump divulgar que Israel e o Hamas chegaram a um acordo para implementar a primeira fase do plano de paz na Faixa de Gaza.
Al-Hayya, que atuou como negociador-chefe do Hamas nas conversas conduzidas pelos EUA, sobreviveu em setembro a um ataque israelense no Catar. Segundo Trump, o acordo prevê a libertação de todos os reféns sequestrados em outubro de 2023, em troca da soltura de prisioneiros palestinos.
Até a última atualização desta reportagem, ministros israelenses ainda discutiam a aprovação oficial do tratado. Um porta-voz de Israel afirmou que o cessar-fogo deve começar até 24 horas após a ratificação.
O político ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, integrante da coalizão do governo de Benjamin Netanyahu, disse que derrubará a gestão se o primeiro-ministro não conseguir desmantelar o Hamas.
Histórico do conflito:
A guerra teve início em 7 de outubro de 2023, após o ataque do Hamas a Israel, que resultou em mais de 1.200 mortes e 251 sequestros. Desde então, segundo autoridades ligadas ao Hamas, mais de 60 mil palestinos morreram na Faixa de Gaza.
Entre as condições do acordo firmado na quarta-feira (8) está a devolução dos corpos dos reféns mortos. Porém, segundo a imprensa americana e israelense, o Hamas não sabe a localização de todos os corpos, o que pode atrasar a implementação do tratado.
Nesta quinta-feira, a Turquia anunciou a criação de uma força-tarefa internacional para ajudar o Hamas a encontrar os corpos. O grupo contará com representantes de Estados Unidos, Catar, Egito, Israel e autoridades turcas.
Fontes israelenses afirmam que 28 dos 48 reféns ainda sob poder do Hamas morreram, e que há entre seis e sete corpos desaparecidos. O Hamas pediu mais tempo para localizar e devolver as vítimas.
Segundo Trump, todos os reféns vivos devem ser libertados até segunda-feira (13).
Pontos do acordo de paz:
O plano apresentado por Trump no fim de setembro, com mediação de Egito, Catar e Turquia, prevê:
- Libertação dos reféns e troca por prisioneiros palestinos;
- Retirada parcial das tropas israelenses de Gaza;
- Ampliação da ajuda humanitária, com envio de comida, água e medicamentos;
- Cessar-fogo gradual e monitorado;
- Governo temporário de transição na Faixa de Gaza.
Israel aceitou reduzir sua ocupação em Gaza de 75% para 57% na primeira fase. O chefe do Estado-Maior israelense já orientou as tropas a se prepararem para operações de retorno dos reféns e eventuais ajustes de segurança.
Previsão de início:
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que a proposta será votada nesta quinta-feira. De acordo com a AFP, o acordo deve ser assinado oficialmente às 6h (horário de Brasília).
Trump foi convidado para discursar no Parlamento israelense e afirmou que considera visitar a Faixa de Gaza nos próximos dias.
O que falta definir:
Ainda não se sabe se o Hamas e Israel aceitaram integralmente os 20 pontos propostos pela Casa Branca. Em uma publicação, Trump afirmou que esta é “a primeira fase” e os “primeiros passos” para a paz, sugerindo que outros pontos ainda serão negociados.
A proposta americana prevê que a Faixa de Gaza se torne uma zona livre de grupos armados, com anistia aos membros do Hamas que entregarem suas armas e aceitarem a convivência pacífica.
Gaza deverá ser administrada por um comitê palestino tecnocrático e apolítico, até que o poder seja transferido à Autoridade Palestina, condicionada a reformas internas.
O plano também inclui um pacote econômico e de reconstrução e a desmilitarização total da região, com proibição de novas instalações bélicas.
Reações:
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu comemorou o acordo e afirmou que representa “um grande dia para Israel”.
“Esse é um sucesso diplomático e uma vitória nacional e moral do Estado de Israel”, publicou nas redes sociais.
Já o Hamas agradeceu aos mediadores do Catar, Egito e Turquia, além de Trump, pelo “fim definitivo da guerra”.
“Reafirmamos que os sacrifícios do nosso povo não serão em vão, e que permaneceremos fiéis à nossa promessa, sem abrir mão dos direitos nacionais do nosso povo até alcançar liberdade, independência e autodeterminação”, diz a nota do grupo.


