Panorama

Idosa fundadora de Rio das Pedras morre baleada durante ataque em disputa entre milícia e tráfico

Iraci Adelgado da Silva, de 78 anos, foi atingida na cabeça enquanto conversava com vizinhos; adolescente de 17 anos também morreu.

Foto: Reprodução

Uma das moradoras mais antigas de Rio das Pedras, na Zona Sudoeste do Rio, a camareira aposentada Iraci Adelgado da Silva, de 78 anos, morreu atingida por bala perdida na noite de quinta-feira (3). Ela conversava com vizinhos quando homens armados pararam um carro em uma das entradas da comunidade e atiraram. A idosa foi atingida na cabeça e morreu na hora. Outro morador, Jorge Luiz dos Santos Reis, de 17 anos, também foi morto.

Iraci deixa três filhos e cinco netos. Outras duas pessoas foram feridas e levadas para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Uma delas, atingida por estilhaços, já teve alta; a outra permanece internada. Segundo moradores, as vítimas não tinham relação com criminosos.

O crime aconteceu na Rua Nova, onde a camareira costumava ficar sentada conversando com os vizinhos.

“Minha mãe foi uma das fundadoras de Rio das Pedras. Veio com meu pai de Pernambuco para tentar uma vida melhor no Rio. Ela era uma pessoa doce que sabia contar a história da comunidade, aonde chegou entre 1961 e 1962. Só falava coisas positivas e ajudava a todo mundo. Não foi só uma idosa que morreu. Foi parte da história de Rio das Pedras”, lamentou o garçom Josivan Adelgado da Silva, de 24 anos, um dos filhos da aposentada.

Segundo Josivan, o medo da violência já o fez sugerir à mãe que todos se mudassem para um condomínio localizado em uma região próxima à comunidade. Ela, no entanto, não queria sair de Rio das Pedras. Ele conta que recebeu a notícia de que ela foi baleada enquanto trabalhava em uma churrascaria.

“Ligaram para meu trabalho e avisaram que tinha ocorrido o tiroteio e que minha mãe havia sido baleada. Quando cheguei e vi o que aconteceu, fiquei muito chocado. É uma sensação de muita amargura por dentro. Todo mundo gostava dela na comunidade. Meu so

nho era sair dali, mas ela gostava do local e preferiu continuar morando ali”, contou ele, chorando.

A Polícia Militar informou que equipes do 18º BPM (Jacarepaguá) foram acionadas para o local. De acordo com relatos ouvidos pelos agentes, três criminosos armados chegaram à Rua Nova de carro e fizeram disparos contra um homem, que conseguiu fugir. Os bandidos voltaram a atirar e feriram as vítimas.

Morreram no local a idosa, que foi baleada na cabeça, e o adolescente, atingido na garganta. Outras duas pessoas também foram feridas — um entregador de farmácia e um vendedor de peixes.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga a hipótese de que o ataque tenha sido cometido por traficantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), que tenta tomar o controle de territórios da comunidade atualmente sob domínio de uma milícia.

A favela é a única da região do Itanhangá que ainda permanece controlada por paramilitares. O corpo de Iraci deve ser sepultado neste sábado (5) no Cemitério do Pechincha, em Jacarepaguá.

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