Panorama

Presidente da Mocidade é preso por envolvimento com esquema de propina ligado ao jogo do bicho no Rio

Flávio da Mocidade teria repassado mais de R$ 500 mil a batalhões e delegacias em apenas dois dias, segundo o Ministério Público

Foto: Júlia Aguiar/Agência O GLOBO

O presidente da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, Flávio da Silva Santos — conhecido como Pepé ou Flávio da Mocidade — foi preso nesta sexta-feira (3) durante uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra a chamada “nova cúpula do bicho”. Segundo a denúncia do MP, o dirigente gerenciava o pagamento de propinas a agentes públicos e teria destinado, em apenas dois dias, mais de R$ 500 mil a batalhões e delegacias do estado.

Apontado como braço direito do contraventor Rogério de Andrade, Flávio foi denunciado por organização criminosa e corrupção ativa. Ambos são considerados líderes do principal grupo de exploração de jogos de azar no Rio. A operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), e cumpriu dois mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão.

Durante a ação, câmeras de segurança registraram Flávio tentando se esconder, mas ele acabou se entregando aos agentes e foi levado para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, Zona Norte. O dirigente já havia sido alvo de um mandado de busca no ano passado, quando tentou se livrar de uma arma jogando-a pela janela. Na ocasião, foi preso por porte ilegal, e seu celular apreendido continha uma planilha com os nomes de batalhões e delegacias supostamente beneficiadas pelo esquema.

Também foi alvo da operação Vinicius Drumond, filho do ex-presidente da Imperatriz Leopoldinense, Luizinho Drumond, apontado como integrante da mesma organização criminosa. Em endereços ligados a ele, foram apreendidos cerca de R$ 120 mil, veículos e uma máquina de contar dinheiro.

As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Comarca da Capital e cumpridas em imóveis no Rio, na quadra da Imperatriz Leopoldinense e em um haras em Cachoeiras de Macacu. A Justiça determinou que Rogério de Andrade permaneça preso no Presídio Federal de Campo Grande (MS), enquanto Flávio deve ser transferido para um presídio de segurança máxima.

De acordo com o MP, desde 2014, Rogério e Flávio comandam o principal esquema de exploração de jogos de azar no estado, envolvendo corrupção sistemática em unidades das polícias Civil e Militar. Os promotores destacam ainda o envolvimento da organização em disputas violentas com grupos rivais, como o liderado por Fernando Iggnácio — assassinado em 2020, crime que teria Andrade como mandante.

A Polícia Civil declarou, em nota, que “não compactua com desvios de conduta e reitera seu compromisso no combate ao crime”. Já a Polícia Militar informou que um agente foi identificado durante a operação e levado à 2ª DPJM para prestar esclarecimentos, e que um procedimento interno será aberto para apurar sua conduta.

A Mocidade Independente de Padre Miguel foi procurada, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

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