Funcionários da Real Auto Ônibus e da Transportes Vila Isabel alegam atrasos de pagamentos

Desde as primeiras horas desta terça-feira, motoristas das empresas Real Auto Ônibus e Transportes Vila Isabel paralisaram as atividades em protesto contra salários e benefícios atrasados.
Enquanto o RioÔnibus, sindicato que representa as viações da capital, atribui a paralisação às “dificuldades econômico financeiras que o setor vem enfrentando”, o prefeito Eduardo Paes classificou o movimento como “picaretagem” e “palhaçada”.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Paes destacou que a Prefeitura realiza, todos os dias 5 e 20 de cada mês, os pagamentos referentes ao subsídio acertado em 2022 com os consórcios e o Ministério Público do Rio, calculados de acordo com a quilometragem rodada por cada ônibus. Ele lembrou que o valor repassado subiu de R$ 2,55 para R$ 4,08 em 2024, alcançando R$ 2,8 bilhões destinados ao setor desde maio de 2022.
“Claro que esse aumento (no subsídio) vem acompanhado de uma gestão mais rigorosa e exigente do serviço prestado. As adequações do plano operacional, (com) a redução das viagens no entrepico, buscam justamente isso: uma maior eficiência do sistema. E tiveram um impacto muito pequeno no total pago. O que a gente está vendo é que, à medida que a gente vai fiscalizando; nós temos o Jaé agora, o controle; os sensores de ar-condicionado, a gente começa a glosar (rejeitar). Você paga por um serviço, e o serviço não é entregue, você começa a glosar”, afirmou o prefeito.
A Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) reforçou em nota que “o repasse de subsídios da Prefeitura aos consórcios está em dia”. Pelo acordo firmado, linhas que não cumprem a quilometragem mínima não recebem o subsídio. Além disso, o prazo das concessões, antes válido até 2030, foi reduzido para 2028, e a cidade será dividida em áreas para novas licitações — a primeira delas, na Zona Oeste, deve ocorrer ainda este ano.
Paes voltou a criticar as viações:
“Essa é mais uma picaretagem das empresas de ônibus. A vida delas está ficando cada dia mais complicada, mas não é por falta de pagamento. É porque acabou a farra delas. Tenho uma péssima notícia para eles: vai continuar assim. A gente vai ficar em cima de vocês, para que prestem um serviço adequado à população.”
Após as declarações do prefeito, o RioÔnibus divulgou nova nota, reconhecendo que, “desde o acordo firmado em maio de 2022, as empresas de ônibus que operam no Rio de Janeiro receberam subsídios que possibilitaram a aquisição de 2.800 novos veículos, sendo 1.700 zero km, a retomada de mais de 160 linhas e a contratação de 1.600 rodoviários, resultando em melhorias percebidas pelos passageiros de ônibus”.
Entretanto, segundo a entidade, “o setor está enfrentando dificuldades com o recente corte da Prefeitura de 20% na quantidade de viagens planejadas e da redução de 40% no valor do subsídio pago, em descumprimento aos compromissos assumidos em contrato, provocando um novo desequilíbrio econômico no setor e consequentes paralisações de operações nas empresas mais afetadas”.
O porta-voz do RioÔnibus, Paulo Valente, criticou as falas de Paes:
“O prefeito foi infeliz em suas falas, já que o valor recebido via subsídios é todo investido no sistema.”
Segundo Valente, os operadores questionam, por exemplo, o uso de sensores que monitoram o funcionamento do ar-condicionado nos ônibus, critério que tem sido usado pela Prefeitura para suspender parte dos pagamentos.
Ele também apontou falhas na grade de linhas:
“A mudança na programação é problemática, visto que é impossível cumprir a programação em alguns horários. A programação vem sendo feita por uma pessoa que não está acostumada a operar ônibus. É muito fácil (a prefeitura) olhar dados estatísticos (para determinar a operação das linhas). Mas ônibus não é teletransportado. Tem que ter lugar para estacionar, banheiro para os motoristas… o avião que vai para Nova York, por exemplo, tem que voltar para o Brasil. Hoje, é como se eu só tivesse voos para Nova York e não tivesse de volta para o Rio de Janeiro.”
E completou:
“Depois do acordo feito, a prefeitura deu um jeito de fazer com que o valor do subsídio fosse reduzido, para caber dentro do seu orçamento.”
As empresas Real e Vila Isabel operam linhas que ligam a Zona Norte e o Centro a regiões como a Zona Sul e a nova Zona Sudoeste, incluindo bairros como Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. O Terminal Gentileza, inaugurado este ano, é atendido por seis dessas linhas.



