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Panorama

Lula sanciona perdão de dívidas para MEIs e prevê aumento do faturamento anual até R$ 140 mil

Nova lei também amplia a possibilidade de contratação de funcionários por determinados setores; governo estima que mudanças beneficiem 17,6 milhões de microempreendedores, enquanto proposta de auxílio de até R$ 5 mil ainda depende do Congresso

Simples Nacional — Foto: Divulgação/Sebrae

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta quarta-feira (21), uma lei que prevê o perdão de dívidas federais de microempreendedores individuais (MEIs), amplia gradualmente o limite de faturamento anual da categoria e permite a contratação de mais funcionários em determinados segmentos. De acordo com o governo federal, as mudanças podem alcançar cerca de 17,6 milhões de microempreendedores em todo o país.

A proposta havia sido aprovada pelo Congresso Nacional na semana anterior e busca alterar regras que impactam o funcionamento de pequenos negócios. Entre as principais mudanças estão a anistia de débitos, a elevação do teto de receita anual e a ampliação do número de empregados permitidos para determinadas atividades.

Dívidas federais poderão ser perdoadas

A lei prevê o perdão de débitos federais contraídos até 13 de outubro de 2026. A medida também contempla dívidas que estejam em fase de cobrança administrativa.

A anistia, no entanto, não prevê a devolução de valores que já tenham sido pagos pelos microempreendedores. Ou seja, quem quitou anteriormente os débitos abrangidos pela medida não terá direito a receber o dinheiro de volta.

Limite de faturamento chegará a R$ 140 mil

Outra mudança prevista é o aumento gradual do limite de faturamento anual permitido para os MEIs. Atualmente, o teto é de R$ 80 mil, mas a previsão é que chegue a R$ 140 mil em 2029.

A ampliação busca permitir que pequenos negócios aumentem sua receita sem precisar deixar antecipadamente o enquadramento como microempreendedor individual. O crescimento do faturamento poderá, assim, ocorrer de maneira progressiva, acompanhando a expansão das atividades.

Alguns setores poderão contratar até dois funcionários

A nova legislação também prevê mudanças nas regras de contratação de trabalhadores para determinados segmentos, incluindo indústria, comércio e setor rural.

Nessas atividades, será possível contratar até dois funcionários. Os empregados deverão receber pelo menos um salário mínimo ou o piso salarial estabelecido para a categoria profissional.

A alteração amplia a possibilidade de formação de equipes em pequenos empreendimentos, embora a aplicação da regra dependa do enquadramento da atividade nas condições previstas pela legislação.

Governo propõe auxílio de até R$ 5 mil

Além das mudanças sancionadas, o governo federal anunciou uma proposta paralela de concessão de até R$ 5 mil para investimentos nos pequenos negócios. Diferentemente do perdão das dívidas e das alterações nas regras do MEI, essa iniciativa ainda depende de aprovação do Congresso Nacional.

Pela proposta apresentada, o recurso seria destinado a investimentos e não precisaria ser devolvido pelos beneficiários. A medida, contudo, não está automaticamente disponível aos microempreendedores e só poderá avançar após a tramitação legislativa necessária.

Com a sanção da lei, o governo busca aliviar parte das dificuldades financeiras dos MEIs e oferecer mais espaço para o crescimento dos negócios. Já a eventual concessão do auxílio financeiro dependerá dos próximos passos no Congresso.

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