Segundo lideranças empresariais, aliados do senador afirmam que a proposta poderá passar por ajustes

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, têm sinalizado a representantes do setor empresarial que ele pretende rever a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 caso seja eleito. A informação foi divulgada pelo Estadão Conteúdo, com base em relatos de fontes ouvidas pelo sistema de notícias Broadcast.
Segundo representantes de entidades empresariais, o recado transmitido a pedido do próprio senador é que a proposta será reavaliada. Lideranças do setor produtivo defendem mudanças no texto e pedem medidas para reduzir os impactos da alteração da jornada de trabalho sobre as empresas.
Apesar das sinalizações feitas nos bastidores, Flávio Bolsonaro não declarou publicamente que pretende rever a medida. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, integrantes de sua campanha afirmam que o apoio à proposta no Senado teve como objetivo evitar desgaste eleitoral.
PEC foi aprovada pelo Senado
Na noite de quarta-feira (14), o Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial.
O texto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados e aguarda promulgação, cuja data ainda não foi definida.
Até o momento, não há detalhes sobre quais pontos poderiam ser modificados em uma eventual revisão. Senadores da oposição também afirmaram desconhecer como as mudanças seriam feitas. Entre as possibilidades discutidas por representantes do setor empresarial está a adoção de medidas para amenizar os efeitos da nova jornada sobre diferentes atividades econômicas.
Mudança de posição em meio à campanha
Na terça-feira (13), Flávio anunciou que votaria a favor da PEC. Antes disso, o senador classificava a proposta como uma iniciativa oportunista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao justificar a mudança de posição, Flávio afirmou que apoiaria o texto para atender à maioria da população. Após o anúncio, a oposição orientou seus parlamentares a votar favoravelmente à proposta, segundo relatos de senadores.
Aliados do candidato afirmaram que a estratégia buscava retirar o tema do centro da disputa eleitoral e evitar que Lula obtivesse vantagem política com a pauta.
Proposta de trabalho flexível também entra na discussão
Entre as alternativas debatidas está uma PEC apresentada pelo líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN). A proposta prevê a criação de um regime de trabalho flexível, com remuneração calculada pelas horas trabalhadas.
A possibilidade de revisão da escala 6×1 a partir de 2027, caso Flávio seja eleito, também teria sido mencionada nas conversas com empresários.
Nos bastidores, algumas lideranças empresariais criticaram a mudança de posição do senador e questionaram a consistência de suas declarações. Até agora, porém, não foi apresentada publicamente uma proposta detalhada de alteração das regras aprovadas pelo Congresso.



