Governador eleito iniciou transição com Ricardo Couto e pretende alterar proposta que prevê déficit superior a R$ 13 bilhões

O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), anunciou na terça-feira (13) Fernanda Louback, vice-governadora eleita, como futura secretária de Estado da Inclusão e da Mulher. O anúncio ocorreu no mesmo dia em que Ruas iniciou as conversas para a transição de governo com o governador interino, o desembargador Ricardo Couto.
A nova secretaria terá orçamento próprio e deverá integrar políticas públicas voltadas às mulheres e às pessoas com deficiência em diferentes áreas da administração estadual, como saúde, educação, segurança e geração de emprego e renda.
Além da formação do secretariado, uma das prioridades da futura gestão será a situação fiscal do estado. A proposta orçamentária para 2027 prevê um déficit superior a R$ 13 bilhões, e Ruas já afirmou que pretende alterar a peça antes da votação na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Orçamento de 2027 deve passar por mudanças
Atualmente presidente da Alerj, Douglas Ruas deverá participar da discussão e da votação do orçamento que pretende executar a partir de janeiro de 2027, quando assumirá o governo estadual.
Em entrevista ao RJ2 no sábado (10), o governador eleito afirmou que não concorda com a aprovação da proposta nos termos em que foi encaminhada pelo governo interino.
Ruas defendeu que o texto seja discutido nas comissões da Assembleia antes de chegar ao plenário. Segundo ele, ainda há tempo para realizar os ajustes necessários e buscar o equilíbrio das contas públicas.
O deputado estadual Luiz Paulo (PSD) avaliou que a proposta precisa refletir a situação financeira real do estado. Para ele, o fato de Ruas presidir a Assembleia e, ao mesmo tempo, ser o futuro governador torna a discussão especialmente relevante.
Já o deputado Alan Lopes (PL) defendeu a revisão de despesas e a apuração de possíveis irregularidades em gastos públicos, além de medidas para ampliar a arrecadação.
A proposta orçamentária ainda será analisada pelos deputados, que poderão apresentar mudanças antes da votação final, prevista para dezembro.
Fernanda Louback comandará nova secretaria
Com 46 anos, Fernanda Louback é vereadora de Niterói, educadora física e empreendedora. Ela foi eleita para a Câmara Municipal em 2024, com cerca de 3,5 mil votos, e tem atuação voltada à defesa dos direitos das pessoas com deficiência e das famílias atípicas. Fernanda é mãe de duas meninas autistas.
Antes de ingressar na política, ficou conhecida ao vencer o concurso Miss Rio de Janeiro, em 2003, representando Nova Friburgo. Posteriormente, atuou como empresária no setor de joias.
Segundo Douglas Ruas, a secretaria terá papel estratégico para garantir que as políticas de inclusão e de proteção às mulheres sejam consideradas nas decisões de diferentes setores do governo, e não fiquem restritas a uma única pasta.
Fernanda afirmou que pretende ampliar as políticas públicas para esses grupos, fortalecendo o acesso a serviços, acolhimento e oportunidades em todo o estado.
Ela foi escolhida pelo PL para integrar a chapa de Ruas após a desistência do ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa de disputar a vice-governadoria.
Transição começou nesta terça-feira
O encontro entre Douglas Ruas e Ricardo Couto, realizado no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), marcou o início das conversas presenciais para a transição. Segundo o governador eleito, um decreto do governo interino deverá formalizar a equipe responsável pelo processo.
Ruas afirmou que espera conduzir a transição de forma respeitosa e colaborativa, garantindo a continuidade dos serviços públicos e preparando a estrutura administrativa para a nova gestão.
O presidente da Alerj permanece no cargo até 5 de janeiro. A posse no governo estadual está prevista para janeiro de 2027.
Projeto sobre devedores contumazes também está em discussão
Outra pauta com impacto potencial sobre a arrecadação estadual é o projeto de lei sobre devedores contumazes, empresas que deixam de pagar tributos de forma reiterada. A proposta, de autoria do governo interino, prevê medidas relacionadas a contribuintes que utilizam a inadimplência tributária como prática recorrente.
Um dos casos citados no debate é o da Refit, que acumula uma dívida de R$ 14,6 bilhões com o estado e cuja falência já foi decretada.
A discussão sobre o projeto e a votação do orçamento estão entre as matérias que a Alerj deverá analisar nos próximos meses, em meio à preparação para a mudança de governo.



