Réus foram condenados em regime fechado por crime ocorrido em janeiro de 2026

A Justiça do Rio de Janeiro condenou quatro homens a 15 anos de prisão, em regime fechado, pelo estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A decisão, divulgada nesta terça-feira (13), manteve a prisão preventiva dos réus e determinou o pagamento solidário de indenização por danos morais equivalente a 40 salários mínimos.
Foram condenados Bruno Felipe dos Santos Allegretti, João Gabriel Xavier Bertho, Mattheus Verissimo Zoel Martins e Vitor Hugo Oliveira Simonin. Durante o processo, os quatro negaram o crime, embora tenham admitido ter mantido relações sexuais com a adolescente. As defesas alegaram que os atos foram consentidos.
Na sentença, o juiz João Zacharias de Sá considerou que o depoimento da vítima foi coerente e estava amparado por outros elementos de prova, incluindo exames que identificaram lesões físicas.
Como aconteceu o crime
O caso ocorreu em 31 de janeiro de 2026. Segundo o relato da adolescente à Justiça, ela foi ao apartamento a convite de um adolescente com quem já havia ficado e concordou em manter relações sexuais com ele.
Ainda de acordo com o depoimento, outros quatro homens entraram no quarto e passaram a violentá-la. A vítima relatou ter sofrido agressões físicas, como socos, tapas e puxões de cabelo, além de ter sido imobilizada e impedida de deixar o local.
A sentença aponta que a adolescente manifestou repetidamente que não queria manter relações sexuais com os demais homens e pediu que parassem. Os exames realizados no Instituto Médico-Legal (IML) identificaram lesões que, segundo o magistrado, reforçaram os demais elementos reunidos no processo.
Juiz rejeitou argumento de consentimento
As defesas sustentaram que as relações sexuais foram consentidas e levantaram a hipótese de que a adolescente teria inventado a denúncia por receio de que um encontro sexual coletivo tivesse sido filmado.
O juiz rejeitou o argumento e afirmou que não havia provas de que a denúncia tivesse sido motivada pelo medo de divulgação de uma gravação.
A decisão também ressaltou que não existe uma reação única diante de situações de violência sexual. Segundo o magistrado, uma vítima pode demonstrar aparente tranquilidade, tentar evitar novas agressões ou ficar paralisada diante da violência.
O que dizem as defesas
O escritório De Piro Advogados, responsável pela defesa de João Gabriel Xavier Bertho, criticou a sentença e afirmou que a decisão teria sido tomada às pressas, priorizando o sensacionalismo em detrimento da análise cuidadosa do caso.
Já Ângelo Máximo, advogado de Vitor Hugo Oliveira Simonin, classificou como absurda a divulgação de informações de um processo que tramita sob segredo de Justiça. Segundo ele, esse tipo de vazamento compromete a credibilidade da instituição.
Adolescente foi submetido a medida socioeducativa
Além dos quatro adultos condenados, um adolescente envolvido no caso foi submetido à Justiça da Infância e da Juventude. Em abril, foi determinada sua internação por seis meses em uma unidade do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase).
Os quatro réus já estavam presos preventivamente, e a sentença manteve a medida. A indenização por danos morais deverá ser paga solidariamente pelos condenados.
Matheus Veríssimo Zoel Martins e Vitor Hugo Oliveira Simonin também passaram a ser investigados por outras acusações de estupro que chegaram à polícia após a repercussão do caso de Copacabana.



