Grupo é investigado por cobrar taxas ilegais de moradores de condomínio e ameaçar expulsá-los de casa; policial militar da ativa está entre os alvos

A Polícia Civil do Rio de Janeiro iniciou, nesta quarta-feira (14), uma operação contra uma milícia ligada a Gilson Ingrácio de Souza Junior, conhecido como Juninho Varão. O grupo é investigado por extorquir moradores do Condomínio Jardim Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) saíram para cumprir dois mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa.
Segundo as investigações, os integrantes cobravam de cada família uma taxa de segurança de até R$ 70 por mês. O esquema movimentava entre R$ 80 mil e R$ 100 mil mensais. Os moradores também eram ameaçados de violência e de expulsão de suas próprias casas.
A polícia identificou ainda a interferência da milícia na administração do condomínio, incluindo a indicação de síndicos para os prédios. Durante a operação, uma equipe apreendeu um porrete que seria utilizado nas intimidações, além de chaves, envelopes e um distintivo da Polícia Militar supostamente falso.
Policial militar está entre os alvos
Um policial militar da ativa, identificado como Carlos Luis Torres Correia, conhecido como Carlão, é alvo de mandado de busca e apreensão. De acordo com a Polícia Civil, ele exercia influência na administração do condomínio e mantinha contato direto com integrantes do comando da milícia.
Ao todo, nove integrantes foram identificados e indiciados durante as investigações. Segundo a polícia, o grupo tinha uma estrutura organizada para realizar as cobranças ilegais, fiscalizar os pagamentos e prestar contas dos valores arrecadados.
Os mandados de prisão têm como alvos Felipe Alves da Silva, o Felipinho ou Portugal, apontado como homem de confiança de Juninho Varão e responsável por comandar as cobranças, e Marcos Francisco dos Prazeres Júnior, conhecido como MJ, investigado por participação nas cobranças e intimidações.
A investigação aponta que a condição de autoridade do policial militar e o medo provocado nos moradores eram utilizados para pressionar as vítimas a pagar os valores exigidos.
A operação tem como objetivo desarticular os núcleos operacional e financeiro do grupo e aprofundar as apurações sobre a possível participação de agentes públicos no esquema.



