Profissional tinha quase quatro décadas de carreira, ficou conhecido pela apuração dos bastidores do futebol e pelas perguntas incisivas a técnicos e dirigentes

O jornalista Silvio Barsetti morreu na madrugada desta terça-feira (13), aos 61 anos, em decorrência de um melanoma metastático. Com quase 40 anos de carreira, ele se destacou na cobertura da Seleção Brasileira e ficou conhecido pela apuração de bastidores e pelas perguntas diretas feitas a técnicos e dirigentes. Desde 2023, atuava como coordenador de comunicação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Ao longo da trajetória profissional, Barsetti trabalhou nos jornais O DIA, Jornal do Brasil, dos Sports e O Estado de S. Paulo, além do portal Terra. No Estadão, passou duas décadas entre as funções de repórter na sucursal do Rio de Janeiro e editor.
Torcedor do America, iniciou a carreira em 1988, no JS. Embora tenha construído boa parte de sua trajetória no jornalismo esportivo, também trabalhou nas editorias de Cultura e Política. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíadas, partidas da Seleção Brasileira e outros eventos importantes do esporte.
Jornalista era conhecido pelo bom-humor e pela postura crítica
Barsetti conquistou o respeito de colegas de profissão pelo estilo irreverente, pelo texto elogiado e pela disposição para questionar entrevistados. Suas perguntas, muitas vezes marcadas por um tom ácido, eram uma característica reconhecida de sua atuação na cobertura esportiva.
Além do trabalho nas redações, era conhecido por gostar de contar histórias e ajudar jornalistas mais jovens. Também mantinha interesse pela investigação dos bastidores do poder político, tema que levou para livros publicados ao longo da carreira.
Em 2018, lançou A Farra dos Guardanapos: O último baile da era Cabral, obra sobre a festa realizada em Paris pelo então governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e integrantes de seu governo.
Em 2022, publicou O outro lado do poder: a História da Política Brasileira pela ótica das Prostitutas, resultado de investigações sobre a relação de integrantes da política brasileira com a prostituição.
O jornalista também colaborou com a pesquisa do livro Vinicius de Moraes: o poeta da paixão, escrito por José Castello.
Furo sobre estádio da Copa de 2014 marcou a carreira
Entre os principais trabalhos de Barsetti está a reportagem publicada pelo Estadão que antecipou a exclusão do Morumbi da Copa do Mundo de 2014. A informação foi posteriormente confirmada, e o estádio do Corinthians, em Itaquera, acabou escolhido para receber partidas do torneio.
Jornalista lutava contra o câncer desde 2025
Barsetti enfrentava um melanoma metastático desde o ano passado. Durante o tratamento, passou por uma cirurgia no cérebro e por sessões de radioterapia.
No domingo (11), voltou a ser internado em um hospital no Rio de Janeiro, mas não resistiu à doença. Até a publicação desta reportagem, não havia informações divulgadas sobre o velório.



