Relatório da entidade aponta mais de 240 mil mensagens e comentários abusivos durante o torneio de 2026; ameaças, racismo e xenofobia estão entre as ocorrências identificadas

Os árbitros foram os principais alvos dos ataques virtuais mais graves identificados pela Fifa durante a Copa do Mundo de 2026. Segundo relatório da entidade, os profissionais da arbitragem representavam cerca de 10% das 1.606 pessoas monitoradas, mas concentraram 71% dos casos classificados na categoria de maior gravidade.
O levantamento identificou mais de 240 mil publicações e comentários abusivos relacionados à competição. Ao longo do torneio, o Serviço de Proteção de Mídias Sociais da Fifa analisou 17,1 milhões de interações envolvendo jogadores, treinadores e árbitros em plataformas como Instagram, Facebook, TikTok e X.
Mais da metade das 1.606 pessoas acompanhadas recebeu ao menos uma mensagem ofensiva. De acordo com a entidade, os ataques também atingiram familiares e pessoas próximas aos profissionais envolvidos na competição.
O monitoramento identificou ainda mais de 100 tentativas de divulgação de informações confidenciais, incluindo dados de contato.
Racismo e ameaças entre os principais abusos
Entre as ocorrências que puderam ser classificadas, 20% apresentavam conteúdo racista. As ameaças de violência corresponderam a 14% dos casos, enquanto manifestações xenófobas representaram 12%.
Os dados reforçam a preocupação com a exposição de jogadores, treinadores e integrantes da arbitragem a ataques nas redes sociais, especialmente durante grandes competições esportivas.
Fifa cobra proteção aos profissionais
O diretor de arbitragem da entidade, Pierluigi Collina, destacou a necessidade de garantir condições para que os árbitros exerçam suas funções sem sofrer assédio virtual.
“Nosso objetivo é garantir que os membros da equipe de arbitragem possam se concentrar totalmente no que acontece em campo, sem se preocupar com o que está sendo publicado sobre eles nas redes sociais”, afirmou.
Collina também ressaltou que as mensagens ofensivas podem ser vistas por familiares e amigos dos profissionais e defendeu que ninguém seja submetido a esse tipo de situação no ambiente de trabalho.



