Pular para o conteúdo principal

Panorama

PF investiga incêndio que destruiu prédio da UFPE e causou prejuízo estimado em R$ 100 milhões

Inquérito apura a origem das chamas e as circunstâncias do caso; MEC anunciou R$ 28 milhões para a construção de um novo edifício

Reprodução / Redes sociais

A Polícia Federal (PF) investiga as causas do incêndio que destruiu o prédio da antiga Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife. O fogo começou na noite de quarta-feira (7), e o prejuízo estimado chega a R$ 100 milhões. O Ministério da Educação (MEC) anunciou o repasse de R$ 28 milhões para a construção de um novo prédio.

Segundo o delegado regional executivo e substituto da Superintendência da PF em Pernambuco, Rodrigo Bastos, a investigação está dividida em duas frentes: identificar a origem do incêndio, por meio de perícia, e reconstruir a sequência de acontecimentos que antecederam o caso.

O inquérito foi instaurado na quinta-feira (8), quando equipes de perícia e investigação foram enviadas à universidade. Os trabalhos, no entanto, dependem do reforço e do escoramento da estrutura, sob responsabilidade da instituição, para garantir a segurança dos profissionais durante a entrada no edifício.

A operação conta com o apoio de equipes especializadas do Instituto Nacional de Criminalística (INC). Um primeiro levantamento no interior do prédio foi realizado na manhã de quinta-feira com o auxílio de um robô.

Laboratórios foram atingidos pelas chamas

O incêndio atingiu o edifício de três pavimentos localizado no campus da UFPE, na zona oeste do Recife. No local, funcionavam laboratórios das áreas de fármacos, informática e genética, além do Núcleo de Pesquisas em Inovação Terapêutica (Nupit).

O combate ao fogo mobilizou oito viaturas do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE). As equipes atuaram entre as 19h30 de quarta-feira e as 5h de quinta-feira. Não houve registro de vítimas.

O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, informou que acionou a Polícia Federal também em razão de ameaças de ataques à universidade que circularam nas redes sociais. Segundo ele, a instituição solicitou a apuração tanto das causas do incêndio quanto das mensagens que ameaçavam a comunidade acadêmica.

A PF confirmou que suspeitos foram ouvidos na quinta-feira e que outros depoimentos estavam previstos para sexta-feira (9). Mensagens compartilhadas em grupos de aplicativos e comentários em publicações mencionavam possíveis explosões em departamentos da universidade e alertavam estudantes sobre a ameaça de uma bomba.

Até o momento, as informações apresentadas não confirmam se o incêndio foi provocado intencionalmente.

Terceiro incêndio em oito dias

O caso foi o terceiro incêndio registrado em prédios da UFPE em um intervalo de oito dias. De acordo com o reitor, os dois episódios anteriores tiveram causas identificadas: um ocorreu no Departamento de Física durante um experimento de laboratório, enquanto o outro foi provocado por um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado no Centro de Biociências.

Alfredo Gomes também afirmou que não há risco de contaminação química ou biológica na área atingida. Segundo ele, os materiais que estavam no prédio foram consumidos pelas chamas.

O edifício fica ao lado da Casa dos Estudantes. Moradores relataram que os primeiros sinais do incêndio foram observados em uma janela do último andar, onde funcionava um laboratório. Um vigilante da segurança patrimonial teria tentado acessar o local para conter o avanço do fogo, mas a porta estaria trancada por uma trava de segurança.

O estudante de Física Emmanoel Bezerra, de 24 anos, contou que percebeu as chamas ainda no início. Segundo ele, o fogo já havia ultrapassado o laboratório e atingido a área de um aparelho de ar-condicionado no pavimento inferior.

Com o avanço do incêndio, janelas começaram a estourar e a fumaça se espalhou pelo entorno, provocando preocupação entre os moradores da residência estudantil. Emmanoel também relatou que não houve acionamento de alarme de incêndio e que as chamas foram percebidas inicialmente por um estudante que passava pelo local.

Em frente ao prédio, há um posto de vigilância da universidade equipado com câmeras de segurança. Até a publicação das informações, o reitor não havia esclarecido se os equipamentos estavam funcionando no momento do incêndio nem se as imagens seriam utilizadas na investigação.

Compartilhar :

Facebook
Twitter