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Panorama

Sargento da PM é condenado a 30 anos por matar dois jovens na Pavuna

Carlos Fernando Dias Chaves afirmou que confundiu um macaco hidráulico com um fuzil; Tiago Dingo e Jorge Lucas foram baleados pelas costas em 2015

Jorge Lucas Paes, de 17 anos, e Tiago Guimarães Dingo, de 24, foram mortos em 2015 — Foto: Reprodução

Quase 11 anos após a morte de dois jovens durante uma abordagem policial na Pavuna, na Zona Norte do Rio, o sargento Carlos Fernando Dias Chaves foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado. A sentença foi anunciada nesta quarta-feira (30), após julgamento no 4º Tribunal do Júri da Capital.

As vítimas, Tiago Guimarães Dingo, de 24 anos, e Jorge Lucas Paes, de 17, estavam em uma motocicleta quando foram atingidas por disparos durante um patrulhamento, em outubro de 2015. Os dois foram baleados pelas costas e morreram no local.

De acordo com o depoimento prestado pelo policial na época, ele teria confundido um macaco hidráulico carregado por Jorge Lucas com um fuzil e efetuado os disparos.

Penas somam 30 anos

O sargento recebeu 14 anos de prisão pela morte de Jorge Lucas de Jesus Martins Paes e outros 16 anos pelo assassinato de Tiago Guimarães Dingo.

Além da pena de reclusão, a Justiça determinou a perda do cargo de policial militar. Na sentença, a juíza Lúcia Glioche considerou que a conduta atribuída ao agente é incompatível com as responsabilidades de um profissional treinado para atuar na proteção da população.

O que aconteceu em 2015

O caso ocorreu em 29 de outubro de 2015. Tiago e Jorge estavam em uma moto quando passaram pela região durante o patrulhamento realizado por policiais militares.

Segundo a versão apresentada pelo sargento, o objeto transportado por Jorge foi confundido com uma arma. Os disparos atingiram os dois jovens, que morreram ainda no local.

Após o episódio, Carlos Fernando se apresentou à Delegacia de Homicídios para prestar depoimento. A Polícia Civil também realizou uma reprodução simulada da ocorrência para reconstruir os trajetos feitos pelos jovens e pela equipe policial e esclarecer a dinâmica dos tiros.

Caso provocou revolta na região

A morte dos jovens gerou protestos e revolta entre moradores da Pavuna. Durante o enterro de Tiago, policiais militares que acompanhavam a cerimônia foram hostilizados por pessoas presentes.

Meses depois, em dezembro de 2015, a polícia realizou a reconstituição do crime. A atividade contou com apoio do Batalhão de Choque após serem registrados disparos nas proximidades durante a reprodução da ocorrência.

No julgamento, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro atuou como assistente de acusação e representou os familiares de Tiago Guimarães Dingo.

 

 

 

Informações: G1.

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