Pular para o conteúdo principal

Panorama

Flávio Bolsonaro nega intenção de retirar título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida

Candidato do PL à Presidência afirmou que não existe projeto com essa finalidade e criticou o que chamou de “fake news” durante entrevista a podcast católico

Flávio participou de entrevista com imagem de Nossa Senhora Aparecida à sua frente Reprodução / SantoFlow Podcast

O candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, voltou a negar que tenha a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A declaração foi dada na noite de segunda-feira (28), durante participação no podcast católico SantoFlow.

A polêmica ganhou força nas redes sociais na última semana, após circularem informações associando o candidato a uma suposta proposta para retirar o título da santa. Flávio afirmou que não existe projeto de lei com esse objetivo e disse ter ficado indignado com a repercussão do caso.

“Não existe projeto de lei sobre retirada do título de Nossa Senhora de Padroeira do Brasil”, afirmou. O candidato também acusou integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de terem contribuído para a disseminação da informação. Entre os nomes citados por ele estão a primeira-dama Janja Lula da Silva e a ministra do Planejamento, Simone Tebet.

Em agosto, Flávio havia declarado que, caso fosse eleito, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Na entrevista desta segunda-feira, ele afirmou que a declaração está relacionada a uma oração que pretende fazer durante a cerimônia de posse, e não à criação de um decreto.

Segundo a assessoria do candidato, Flávio pretende fazer uma oração antes da leitura do termo de posse, entregando o Brasil “nas mãos de Jesus”.

Religião e campanha

Durante a entrevista, Flávio também citou a religião do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e de seu vice na chapa, Alfredo Gaspar (PL-AL), para rebater acusações de preconceito contra católicos.

“Meu vice, Alfredo Gaspar, é católico fervoroso. Meu pai também é católico”, afirmou. Segundo Flávio, a escolha de um vice católico seria uma demonstração de que não possui resistência à religião.

O candidato participou da entrevista com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida posicionada à sua frente. Ao longo da campanha, ele tem ampliado as referências religiosas em discursos e compromissos, participando de cultos, eventos evangélicos e encontros com lideranças religiosas.

Flávio frequenta a Igreja Batista e, em janeiro deste ano, foi batizado pela segunda vez no rio Jordão, durante uma viagem a Israel. Jair Bolsonaro, apesar de ter sido batizado nas águas do rio Jordão em 2016 pelo pastor Everaldo, continuou a se identificar publicamente como católico.

Na entrevista, Flávio também criticou o PT e afirmou que o partido estaria estimulando uma divisão entre católicos e evangélicos. O candidato disse que pretende se apresentar como uma alternativa à polarização, ao mesmo tempo em que reivindica a continuidade do legado político do pai.

Críticas ao STF

Outro tema abordado durante a entrevista foi o Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio acusou Lula de ter transformado a Corte em um “comitê eleitoral” e criticou ministros indicados pelo atual presidente, entre eles Cristiano Zanin e Flávio Dino.

O candidato também voltou a fazer críticas ao ministro Alexandre de Moraes e afirmou que, caso seja eleito, pretende indicar ministros alinhados a pautas defendidas por seu eleitorado.

Flávio declarou que escolheria para o STF pessoas contrárias ao aborto e à descriminalização das drogas. “Vou indicar pessoas que são contra o aborto e contra as drogas”, afirmou.

Ao citar Moraes, Flávio também afirmou que o ministro teria tomado decisões que, na avaliação dele, favoreceram Lula. Moraes, porém, não foi indicado pelo atual presidente: chegou ao STF em 2017, durante o governo de Michel Temer.

Críticas a propostas de Lula

Flávio também criticou a proposta do governo federal de ampliar o acesso a medicamentos da classe GLP-1 para o tratamento da obesidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O senador comparou a medida às promessas feitas por Lula em campanhas anteriores e chamou as canetas emagrecedoras de “nova picanha”.

“Está faltando remédio para dor de cabeça na UBS e o cara está prometendo canetinha de R$ 3 mil por mês”, declarou.

A proposta foi anunciada por Lula em 17 de setembro, durante visita a uma fábrica da Eurofarma, em Montes Claros (MG). Na semana seguinte, o Ministério da Saúde protocolou na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) um pedido para avaliar a inclusão de medicamentos à base de semaglutida ou liraglutida no tratamento da obesidade.

A eventual oferta dos medicamentos pelo SUS ainda depende da análise da Conitec e da definição de critérios para determinar quais pacientes poderiam receber o tratamento.

O Ministério da Saúde também realiza um estudo com 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças, no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre. A pesquisa avalia, entre outros pontos, o uso dos medicamentos em pacientes que aguardam cirurgia bariátrica e os possíveis impactos sobre complicações relacionadas à obesidade.

Compartilhar :

Facebook
Twitter